O viaduto da moralidade ruiu. Há tempos!

Postado por: Dilerman Zanchet

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Nietzsche: “A moralidade é a melhor de todas as regras para orientar a humanidade”.

Vimos que, na semana passada, um viaduto em Brasília desmoronou. Por inteiro. A fatalidade não foi maior por não haver vítimas. Não, no acidente, mas sim na tragédia do percurso entre a moral e a ética.

Ora, Brasília desmoronou há muito tempo. A falta de vergonha, o abuso, o absurdo dos mandantes deste país chegou ao ápice nos últimos cinco anos. Não duvidarei se houver investigações que reportem há mais tempo ainda.

O “porém” é que já não tem mais “Cristo que salve”, como o dito popular.

O advogado Alcindo Roque, inteligente e absoluto em suas colocações, escreveu um artigo publicado no Portal GaúchaZH, nesta segunda-feira, refletindo a situação. Moral, índole, bons costumes, ética? Nada disso. Este viaduto que leva aos caminhos da tolerância já ruiu, faz tempo.

“...Mas, afinal, qual foi efetivamente o viaduto que desmoronou? Não foi apenas a estrutura em si, mas as pontes que nos conduzem a uma vida com mais confiança na gestão pública e na política. Esse é o resultado da crescente distância entre os governantes e as necessidades da sociedade. É também o reflexo de um modo arcaico de administração, marcado por uma pirotecnia inconsequente e pela ambição de ganhar novas eleições e, assim, seguir partilhando o poder entre poucos. 

Para neutralizar essa corrosão, que compromete o nosso futuro, é preciso haver um controle social da gestão pública, com uma análise rigorosa das contas e das ações dos gestores. Devemos nos revoltar, com veemência, contra a corrupção. Porém, além disso, ficar atentos aos desperdícios e à ineficiência da administração pública. 

Não deixe de acessar o site do Tribunal de Contas do seu Estado. Confira também o relatório de gestão fiscal, o percentual de gastos com pessoal, se há restos a pagar, qual a dívida líquida consolidada, o orçamento do exercício anterior. E muito importante: quanto se arrecadou e se gastou.  

Não se impressione com as caras campanhas publicitárias, custeadas com os nossos impostos. Contudo, fique atento para que, na sua cidade, não desabem pontes - e, assim, impeçam a travessia para um futuro melhor. Do contrário, não questione "por quem os sinos dobram", nem pergunte como o viaduto ruiu”.

O amigo e advogado Alcindo Roque não disse, por uma questão de princípios éticos, que o excesso de funcionários e de dinheiro para manter a máquina pública também são responsáveis pela quebradeira. E que a maior fatia de toda a arrecadação vai para a folha.

No entanto e para evitar comentários desnecessários, vale dizer, também, que os funcionários públicos não têm culpa disso. Fazem concurso, são aprovados e lotados em alguma repartição. O problema é o desvio de funções, a quantidade absurda de cargos de confiança e os desmandos nas licitações em todas as esferas.

E o povo paga a conta do viaduto que ruiu.

  *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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