(Não) “Cala a boca, Magda”. Podes falar

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Uma das Escolas de Samba mais populares do Brasil teve entre seus temas a homenagem a um programa de televisão com grande repercussão em épocas recentes: o “Sai de baixo”. A frase mais sintomática da época intitula este breve escrito como provocação para versarmos sobre a necessidade de falar.

Os problemas que preocupam o cotidiano da vida da comunidade não podem silenciar. A violência que assola boa parte das nossas cidades ameaça o cotidiano das nossas relações. Praticamente a rotina de todas as pessoas está sendo alterada pelos altos níveis de violência.

A garantia de boa convivência entre as pessoas e nos diferentes ambientes, especialmente no espaço público, é de responsabilidade do Estado, governos e outros eleitos não. Mas hoje se sabe que isso está cada vez mais difícil devido à falta de organização de pessoas e instituições, assim como, pela inexistência de recursos suficientes para isso.

Quem garantirá a segurança?

Este período da quaresma, que por muitos anos tem o brilho da Campanha da Fraternidade, trata desse tema de forma mais intensa até a Páscoa, mas continuará no decorrer do ano.

De forma sábia, a CNBB optou por acentuar a necessidade de as pessoas se reconhecerem como iguais em suas diferenças. E, de forma mais contundente, acentua a necessidade de superação da violência como uma ação dos seguidores dos Ensinamentos do Evangelho e do exemplo do Mestre de Nazaré. Alguns incautos e desatualizados poderão perguntar sobre por que a Igreja Católica se preocupa com isso. A fé cristã precisa ter uma opinião clara e segura sobre os diferentes temas que preocupam o nosso dia a dia.

Aqueles que atuam como o “Antibes” mandando “calar a boca” ou falando na “hora errada, para a pessoa errada” constrange antes a si e depois aos outros. A construção da paz é tarefa permanente e a superação da violência é missão de todos.

Esse período nos chama para uma visão conjunta, crítica e atualizada. O “alimenta” da violência é similar à comida dada à corrupção, ou seja, as pequenas ações do dia a dia. Os violentos e corruptos famosos chegam lá porque são alimentados aqui.

Especificamente, a prevenção à violência tem suas raízes nas relações familiares. Teremos tempo e motivos para tratar desse assunto. A exposição e o aumento da violência no interior das famílias certamente com o primeiro “cala a boca” e o silencia da outra parte. Não se pode deixar de falar.

 

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