A falência do sistema carcerário e o reflexo na sociedade

Postado por: Gilnei Fogliarini da Costa

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Notícias da crise na segurança pública estampam os mais diversos meios de comunicação, os olhos se voltam para os operadores do sistema, policiais e agentes que labutam diariamente, remando contra uma maré que bate em seu peito, e precisa defende com brio e galhardia.

Hoje notamos claramente o retrabalho diário que os policiais realizam quando das prisões de indivíduos que deveriam estar cumprindo pena em um estabelecimento prisional e estão nas ruas praticando o crime. Os detentos do regime semiaberto, os quais ganhavam o benefício de sair apenas para trabalhar, hoje, pela falta de estrutura, andam livremente diuturnamente pelas ruas da cidade, e se aproveitam da condição pra cometer outros delitos.

Este assunto ganha repercussão nas mídias de grande circulação no Estado, segundo as fontes o regime semiaberto vem impulsionando a criminalidade nos últimos anos, e o motivo seria a tolerância das autoridades na falta de investimentos e afrouxamento de regras de contenção dos detentos.

A escassez de espaços nas cadeias transformou apenados do semiaberto em "presos" domiciliares. Este sistema permite que o preso nem precise fugir para ficar nas ruas, e sem fiscalização, seguem cometendo crimes.

A falência do sistema de cumprimento progressivo de condenações em paralelo à escalada da violência fomenta o clamor social por mudanças na legislação, em especial, pelo fim das regalias e o devido cumprimento do cárcere.

Mas não raro é o surgimento de defensores de “direitos” destes sujeitos, batem ao peito para dizer que “todos têm o direito da liberdade, que até a condenação todos são inocentes, que há a superlotação nos presídios, pois além de lotados são lugares em condições desumanas”.

Aí pergunto: Que culpa tem a nossa sociedade, que culpa tem as todas aquelas vítimas destes delinquentes, vamos viver diariamente com esta sensação de impunidade? E as polícias, que desmotivada, e com seu efetivo reduzido, e mesmo assim precisa diariamente fazer este retrabalho de prender e prender.

Precisamos urgentemente de qualidade em nosso sistema prisional, vagas para todos aqueles que foram condenados, e que estes possam ser ressocializados, precisamos de leis que permitam que o ciclo da reclusão se complete, precisa-se dar uma resposta à sociedade, garantir às vítimas que seus maus feitores recebam e cumpram sua pena, e garantir a tão almejada sensação de segurança.

  *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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