Carnaval para quem?

Postado por: Dilerman Zanchet

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As duas escolas de samba vencedoras do carnaval carioca abordaram temas sociais, falando sobre a questão da previdência, da impunidade, da proposta de reforma trabalhista, dos roubos e achaques aos cofres públicos, enfim, temas abrangentes e pertinentes em um país que vive o caos moral e ético.

Sensacional. Ou, como diriam alguns: Uau! (argh!)

A escola vice-campeão, no entanto, conseguiu superar seu próprio tema, ao dar as costas às falcatruas feitas pelos seus próprios intercedentes. Não precisou ir longe para buscar as informações que asseguram ter sido financiada pelo tráfico. E o que é pior ainda (se tiver algo pior): Esqueceram de colocar na ratoeira o maior e pior rato de todos, dos que comeram o nosso queijo nos últimos 15 anos.

Muito fácil tripudiar, como o fez a escola campeã, a moral e a ética, deixando de lado a chave do cofre público. Só que não.

As escolas cariocas que fazem carnaval levam milhões de reais do dinheiro público, para sua apresentações de um, no máximo dois dias. São 50, 80 milhões investidos para os que ainda ficam em frente à Tv, ou pouco mais de cinco mil pessoas que pagam as turras para assistirem no sambódromo, sujeitos a assaltos e arrastões.

O carnaval carioca privilegia os privilegiados.

O carnaval carioca, nos últimos anos, têm sido um espetáculo para boi dormir. Ou nem conseguir fazê-lo.

Ninguém mais perde horas de sono para aguentar as transmissões televisivas, que antigamente atingiam milhões de pessoas.

Raros são os que dispões de uma quantia significativa para ir ver ao vivo na Sapucaí.

Só quem tem mais de três mil reais sai do interior do Rio Grande do Sul para ir vê-lo. Não quero dizer, com isso, que não se possa ou deva assistir. É uma questão pessoal e particular.

Carnaval? Sim, por favor, com dinheiro próprio. Sem desvios nem dinheiro do tráfico.

Aí os patinhos da FIESP podem desfilar? Os abastados? Para quem? Em torno de um projeto social? Qual era o projeto? Faltou pão e mortadela no barracão?

O que se espera, em um local onde a intervenção federal seja decretada para agir na segurança pública (função do Estado em suas esferas), é que se deixe de privilegiar poucos pelo bem de muitos.

Insignificante, lá por abril, junho, que se saiba quem venceu o carnaval do Rio. Revolvante, porém, será lembrar-se das balas que vitimaram pais, mães, crianças e policiais.

O carnaval brasileiro, despontado como histórico por alguns, esqueceu seu verdadeiro sentido, a partir do financiamento estatal.

E com o dinheiro jorrando, deixa-se de lado a educação, a segurança, a saúde.

Lamentável, para um país em potencial e que o usa somente para desvios e benesses.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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