Somos desiguais – “Vós sois irmãos”

Compartilhe

A construção da paz é uma tarefa árdua, delicada e envolvente. Talvez, embora sem qualquer pretensão de afirmar uma certeza, esse é um tema recorrente entre as autoridades e governantes das nações, dirigentes de instituições e pessoas de boa vontade ou comuns como alguns preferem se referir àqueles que possuem pouca influência na sociedade. 

Ao perguntar ou refletir sobre como seria a convivência entre pessoas iguais, o espanto é geral. É impossível as pessoas conviverem com outras iguais a si. Ao questionar uma família sobre quanto tempo é possível conviver sem discussão, debates acalorados ou simples conflitos cujas consequências ninguém sabe avaliar tem-se a certeza que a paz está distante.

Entretanto, quanto mais complexas as relações entre pessoas, grupos, cidades e povos maiores e mais difíceis são os conflitos e as dificuldades de experimentar a paz.

Certamente não estamos falando da “paz dos cemitérios”, mas das condições para a convivência sabia, duradoura e normal entre pessoas, povos e grupos formados por pessoas desiguais em sua origem, costumes, tradições, culturas, interesses, objetivos, crenças e outras características.

O mistério da vida humana acontece e se refaz neste conjunto de relações. Durante a história as formas de solução de conflitos ocorreram de inúmeras formas. As mais evidentes são por meio de acordos diplomáticos de forte impacto. Aqueles fracassados, normalmente, são elaborados apenas por burocratas e representantes de governos. Os mais duradouros são consequências dos envolvimentos de grupos representativos e da própria população.

            Afirma-se com segurança em diferentes instâncias que a paz é possível, necessária e condição para a sobrevivência humanas, o equilíbrio social, a sadia relação com a natureza e as condições de existência das futuras gerações.

            O reconhecimento da filiação divina, preconizada com especial convicção pela fé cristã, é um misto de temos e ousadia diante das diferenças e desigualdades antes enunciadas. Por isso todo esforça pela superação de formas de exclusão, discriminação e maus tratos em diferentes níveis não pode ser obra apenas das limitadas condições humanas e de suas capacidades. É preciso ter e amadurecer convicções mais profundas.

A igualdade não é condição absoluta para as condições de paz. Antes, a expressão das diferenças e o combate ao excessivo nível de desigualdades é o caminho mais seguro. Acompanha esta prerrogativa a educação para a tolerância.

Vale para este fim algumas percepções: países democráticos não guerreiam entre si (Rawls), pessoas com bom nível de acesso a à educação não são violentas, famílias (vizinhos) que dialogam não brigam, assim poderíamos segui o elenco.

O contrário disso também é verdade: Países que fabricam armas também promovem guerras, pessoas que não leem ou não convivem com diferenças são fanáticos, instituições autoritárias geram filhos perversos, locais sem liberdade e muito pobres são amis violentos.

Sugiro para continuar o debate o tema da tolerância, é melhor sermos desiguais e tolerantes. 

[http://www.ajuris.org.br/OJS2/index.php/REVAJURIS/article/view/389].

Leia Também Precisamos ser competitivos Alimentação durante o tratamento da infecção urinária Estado falha e municípios pagam a conta da saúde O cão, o trigo e o Fusca