Quais os verdadeiros objetivos da Intervenção Federal no Rio de Janeiro?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Desde a semana passada, a cidade do Rio de Janeiro, está sob intervenção federal na área de segurança pública. O Presidente da República Michel Temer, decretou a intervenção federal em caráter de urgência, o qual foi ratificado pelo Congresso Nacional por ampla maioria nesta semana. A intervenção se deu após o feriado de carnaval, tomado por cenas de extrema violência e terror, expondo um total descontrole e fragilidade no sistema estadual de segurança pública, que levou o governador do estado Luiz Fernando Pezão, a pedir “socorro” ao governo federal.

Uma das maiores festas populares do Brasil, ocorre na “Cidade Maravilhosa” do Rio de Janeiro, o Carnaval. Conhecida mundialmente por promover o melhor e maior Carnaval do Planeta, a capital fluminense é palco de um verdadeiro espetáculo de arte e cultura, atraindo turistas do Mundo todo. Os olhos do Brasil e da comunidade internacional, estavam voltados para o Rio, porém, o que não se esperava, eram as cenas de verdadeiro terror que foram vistas durante os dias de festival. A cidade parecia estar em guerra, com inúmeros tiroteios em via pública, arrastões, saques, assaltos em plena luz do dia, além de dezenas de homicídios, que vitimaram inocentes nesta verdadeira guerra civil. A população carioca viveu momentos de pânico, e, para agravar ainda mais a situação, o governador do estado (Pezão) e o prefeito da cidade, Marcelo Crivella, estavam ambos em viagem internacional. O decreto de intervenção caiu como uma luva para o presidente Michel Temer, que aproveitou a deixa para engavetar a pauta negativa da reforma da previdência, que tramitava com grandes dificuldades e sem o apoio necessário no Congresso, erguendo uma bandeira com amplo apoio popular e parlamentar, que é a pauta da segurança pública. Não podemos esquecer que estamos diante de um ano de eleições e os índices de rejeição do presidente não são nada favoráveis a um candidato a reeleição.

Além da conseqüente simpatia e apoio popular à ação de intervenção militar, as operações que serão comandadas pelo General do Exército Walter Souza Braga Netto, têm como objetivo principal, o reestabelecimento da ordem pública, da segurança e da paz social. A ordem é de agir com energia, intolerância e severidade ao crime organizado, a corrupção, ao tráfico de drogas e ao porte ilegal de armas. Uma das maiores dificuldades que o General Braga Netto irá encontrar, está na difusão do crime organizado na comunidade das favelas e até mesmo dentro das corporações de segurança, onde a corrupção e organização de milícias, tornaram-se endêmicas no sistema. O governo estadual está a meses enfrentando dificuldades para o pagamento da folha dos servidores públicos, que além de não receberem salários, se deparam com viaturas e prédios sucateados, o que certamente ajudou a agravar ainda mais a situação. A operação de intervenção, embora necessária e urgente, deixa várias dúvidas e preocupações com relação a sua real eficácia de resultados, pois em se tratando de segurança pública, os resultados só surtirão efeitos, se vierem seguidos de ações de políticas públicas efetivas, com programas de planejamento familiar, garantia de acesso a saúde, educação, emprego, renda e segurança pública.

O fato é que em um primeiro momento, a ostensividade e repressão militar, poderá até surtir algum efeito, porém os efetivos resultados, só serão vistos a médio e longo prazo, com a aplicação concomitante das referidas políticas públicas, caso contrário, estaremos diante de mais um espetaculoso e midiático “show”, com fins eleitoreiro.      

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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