Capinguí: solução passa pelo diálogo e boa vontade dos envolvidos

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Estamos presenciando um verdadeiro crime ambiental na barragem do Capinguí. O volume de água tem baixado em proporções consideráveis em plena piracema. Além disso, o entorno do lago sente os efeitos da ocupação das embarcações e de outras ações humanas que poluem e degradam o ecossistema.

A situação tem gerado preocupação à comunidade regional. Frente a este problema, sugeri promover uma Audiência Pública, por meio da Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa.

Precisamos reunir todos os envolvidos, em um grande debate, para buscar um entendimento e adotar ações capazes de mudar o cenário que estamos presenciando.  Ministério Público e diferentes forças políticas e da sociedade civil estão mobilizadas para isso.

A barragem do Capinguí tem uma importância histórica para a região. Foi construída em duas fases. Na primeira, entrou em operação em 1933. A segunda, contou com a ampliação em 1956. Hoje a usina trabalha em três unidades geradoras com reservatórios em cascata.

Além de gerar energia, o lago é procurado por aqueles que buscam espaço para viver em meio a natureza. Porém, neste verão, o cenário choca aqueles que se deparam com o nível cada dia mais baixo das águas da represa.

A situação vinha chamando atenção faz anos. Desde 2014, é acompanhada pelo Ministério Público, por meio da abertura de um inquérito civil. Neste período, a situação evoluiu pouco. Os próprios moradores contrataram um estudo técnico para verificar o que provoca a redução do volume de água do reservatório e a consequente mortandade de peixes. O projeto foi encaminhado pelo MP para a FEPAM e ainda aguarda avaliação.

Um dos apontamentos, presentes no documento, mostra que o modo de operação da CEEE pode ser responsável pelo problema. O controle das comportas feito por satélite pode estar provocando o desperdício de água já que mantém o reservatório entre os níveis operacionais médios e máximos de forma contínua.

Se houvesse vazão mínima da represa durante períodos de chuvas, o reservatório poderia manter um nível elevado com o funcionamento normal de geração elétrica. Diversas pessoas que conhecem o local e defendem a preservação da barragem fazem esse apontamento e consideram fundamental controlar as comportas com maior ou menor abertura conforme o comportamento do tempo.

O jornalista, historiador e, meu amigo, Tau Golin, comenta que um dos meios capazes de preservar a barragem compete ao responsável que executa a operação da Usina. Isso começa com atenção à previsão do tempo. Os itens foram elencados por ele no seu perfil pessoal no Facebook. Hoje a água passa em excesso pela usina, fica sem utilização e é colocada fora. A falta de racionalização do sistema causa prejuízos para a própria CEEE.

Não podemos ficar calados diante desta situação. Por isso, vou debater esses pontos com a FEPAM. Estou buscando uma audiência até o fim desta semana. Precisamos fazer um esforço coletivo para reverter esse quadro e preservar a Barragem do Capinguí.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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