A pedagogia do encontro

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Em muitos momentos e espaços a educação tem sido apresentada como alternativa para o aperfeiçoamento da nossa civilização. Entretanto ao mesmo tempo, vivemos um distanciamento abismal entre a teoria e a prática. Na prática, está sendo evidenciado, prioritariamente, soluções rápidas e simplistas e, em decorrência disso, estamos estacionados em um estágio civilizacional em que a sobrevivência material se sobrepõem ao humanismo, orientado por diretrizes de convivência humana e dialógica. A partir desse impasse que é, também, de incompreensão teórica, muitas pessoas continuam acreditando que o modo mais eficaz de nos aproximarmos de uma condição social segura, é por meio do uso de armas mortais, da guerra e da destruição do outro.

Em um país referência para o mundo (Estados Unidos da América) as armas com alto poder mortal estão legalmente à disposição da população. Essa legislação está sendo objeto de polêmicas, visto que muitas pessoas foram assassinadas nos últimos anos, em decorrência do uso dessas mesmas. No Brasil, estamos envolvidos em um retrocesso que precisa ser claramente percebido, visto que um dos maiores símbolos das armas, o exército, é apresentado como uma solução para superar a insegurança. A confusão conceitual é gravíssima, ao ponto de uma parcela da sociedade acreditar que a convivência cidadã, as relações sociais e institucionais deveriam dar mais espaço para o poder bélico. É negativamente impactante chegar pela primeira vez em uma cidade da Europa, nesse caso específico o pais é a França e ter o primeiro encontro, na recepção do aeroporto, marcado por homens e mulheres armados com fuzis.

Em contraposição a esses fatos, para não estacionarmos e retrocedermos como civilização, o livro do neurocientista António Damásio: “A Estranha Ordem das Coisas”, apresenta uma opção. Nesse livro, o autor defende que é preciso educarmo-nos para controlar os nossos instintos mais básicos, primitivos, de competição e de sobrevivência, que limitam o aperfeiçoamento da convivência humana.  E a alternativa, em sintonia com um modo de conceber o nosso estágio existencial, é nos educarmos para a convivência humana, no contexto da complexidade, da diversidade e da pluralidade de referências e comportamentos. Segundo o próprio autor declarou, os conceitos da sua obra "Erro de Descartes: Emoção, Razão e o Cérebro Humano", publicada no século passado, devem ser retomados, em sintonia com o estágio científico do século XXI.

É alentador passar pela Universidade do Porto, no país de origem do brilhante autor de livros como: "Ao encontro de Espinosa: As emoções sociais e a neurologia do sentir" e encontrar pensadores que defendem e escrevem sobre pedagogia do encontro, na qual as relações humanas devem transcender o subterfúgio de dispositivos tecnológicos, formais ou burocráticos. Para quem deseja saber mais sobre este tema tão apropriado no contexto de planejamento de um ano letivo, ratifico que a internet desorienta e intoxica, mas, também, se apresenta como ótima ferramenta pedagógica. Para tanto, basta usar adequadamente e, nesse caso, ter em mãos o título do artigo que é: “O lugar do encontro, reflexões sobre uma prática pedagógica”. O nome do autor que é: Luís Fernandes.

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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