Polícia Federal – A lei é para todos

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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O filme “A Lei é para Todos” de Marcelo Antunez (Diretor), produzido por Tomislav Brazic, trata-se de um longa metragem, que será transformado em uma trilogia nos próximos meses, tendo em seu elenco atores como: Flávia Alessandra, Ary Fontana, Marcelo Serrrado, Rainer Cadete e Antonio Calloni. Embora seja um filme de ficção, o filme é baseado em fatos reais, que relatam o desenvolvimento do início da Operação Lava a Jato, utilizando-se de depoimentos anexos aos autos do processo, gravações autorizadas dos investigados, além de entrevistas com as autoridades envolvidas na investigação.

O enredo do filme começa com uma apreensão de um caminhão de palmito com 697 Kg de cocaína escondidos em meio aos cubos de palmito. A operação fazia parte de uma investigação da Polícia Federal, no combate ao tráfico de drogas. Após esta apreensão, chegou-se ao nome do doleiro Alberto Youssef e posteriormente ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa. As cenas do filme trazem riquezas de detalhes de como se deram as investigações e prisões dos envolvidos. Os personagens de Youssef e Costa, foram os “pivôs” de toda a trama que deu início a maior operação já vista no Brasil de combate ao crime organizado e a corrupção, batizada de “Operação Lava a Jato”, por envolver postos de combustíveis no esquema de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal após operação de busca apreensão na casa do ex-diretor da Petrobrás, descobre em fragmentos de papeis queimados em uma churrasqueira, pistas que levaram a um banco na Suíça, onde Paulo Roberto Costa tinha uma vultuosa conta de 23 milhões de dólares. Após muita pressão da polícia e da própria família de Costa, o ex-diretor resolve “abrir o bico” como se diz na gíria policial e realizar a delação premiada, começando ali, uma série de investigações e prisões, que não param de ocorrer na operação até os dias de hoje, sem prazo para encerrar.

Em uma das cenas mais interessantes do filme, está a abordagem de Marcelo Odebrecht (diretor da Odebrecht) em sua residência de luxo. Os delegados da Polícia Federal chegam a residência ao clarear do dia, com um mandado de busca e apreensão na residência e de prisão preventiva para o mesmo. Após a apreensão de seu telefone celular e quebra do sigilo deste, muitas autoridades políticas, além da cúpula empresarial do Brasil envolvida no esquema criminoso, foram descobertos, presos e alguns ainda investigados. O filme também encena o momento da abordagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua residência, quando ele fora conduzido para depoimento em condução coercitiva. Embora haja muitas críticas ao filme, sobre sua tendência ideológica, a qual é negada veementemente pelo diretor, fica muito claro e evidente o protecionismo que ocorre com as autoridades políticas, detentoras da imunidade parlamentar. Muitos dos envolvidos com o esquema de corrupção, ainda se mantêm impunes, por estarem protegidos pela imunidade parlamentar.

Outro esquema revelado no filme e que faz parte da investigação da Operação Lava a Jato e do Tribunal de Contas da União - TCU, diz respeito aos empréstimos do BNDES a países da África e América Latina, que somam mais de R$ 50,5 bilhões de reais, sem a observância de critérios indispensáveis aos financiamentos e com a provável influência de autoridades políticas nacionais. Os países que mais receberam recursos foram: Angola (R$ 14 bilhões), Venezuela (R$ 11 bilhões), Argentina (R$ 8 bilhões) e Cuba (R$ 3 bilhões). Os empréstimos foram utilizados em grandes obras naqueles países, executadas por 5 grandes empreiteiras brasileiras envolvidas na Operação Lava a Jato (82% dos empréstimos foram de obras com a empreiteira Odebrecht). Os recursos do BNDES fazem parte do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, ou seja, dinheiro público dos brasileiros que deveria ter sido investido com prioridade em obras públicas no Brasil.

Críticas a parte ao filme, o fato é que a informação está sendo divulgada a população brasileira, que tem direito de acesso a informação e aos autos do processo, que envolve o desvio de bilhões de reais, de dinheiro público que pertence a todos nós. A esperança dos brasileiros neste difícil e histórico momento, é que a partir destes episódios, possamos tirar um ensinamento, uma aprendizagem para que no futuro, não tenhamos mais tantos corruptos e corruptores no Brasil, e, que de fato, A LEI SEJA PARA TODOS!  

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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