As mulheres na campanha

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Após o término do pleito da última eleição municipal, entre os fatos que mais chamaram atenção, estava o retrato das Câmaras Municipais de Vereadores, majoritariamente preenchidas por homens. Em Passo fundo, por exemplo, esse constrangimento foi amplamente comentado. Diferente foi no município de Coxilha, onde o retrato foi outro.

Outra campanha, esta a da Fraternidade, trata do assunto sob outra ótica ou perspectiva. A violência contra a mulher. Um constrangimento com repercussões “de longo alcance”, por que atinge aquela responsável pela condução e influência privilegiada de pessoas, famílias e comunidades. Dito de outra forma, sobre as pessoas no presente e, especialmente, no futuro.  Ou seja, ao longo da vida ou da existência.

A condição de sujeito de direitos, amplamente conhecida como uma característica decisiva de todo brasileiro, sancionada pela Constituição de 1988, está distante de poder ser percebida no cotidiano da população, especialmente entre aquelas vitimas da exclusão em suas diferentes facetas.

Mais especificamente, a condição de sujeito de direitos das mulheres merece uma atenção especial, renovada, comprometida e animada pela esperança. O exercício da liberdade associada à força das novas tecnologias de comunicação e informação permite que tenhamos acesso às informações específicas sobre os níveis de violência que recaem sobre os brasileiros em geral e, particularmente, sobre as mulheres.

O conhecimento das cifras alarmantes, primeiro precisa nos assustar – somos filhos de uma mulher, temos irmãs, tias, colegas e amigas. Sabemos, direta ou indiretamente, o quanto tais situações dificultam as relações familiares e sociais. A segunda reação é de indignação diante de realidades lamentáveis e inconcebíveis se considerarmos a capacidade humana e a sua evolução em relação ao passado, distante ou não. A terceira reação precisa demonstrar nossa capacidade de recuperação, mudança, conversão, esperança, reconciliação e construção de novas relações. Esta tem a marca da igualdade, equidade, tolerância, perdão, reconhecimento, caridade, alteridade e outras prerrogativas que são ideais, mas podem ser concretizadas no dia a dia.

A Campanha da Fraternidade e as lições do Mestre de Nazaré nos possibilitam um olhar terno e fraterno de combate incessante às causas da violência, da correção das situações de exclusão e constrangimento, assim como, a punição exemplar e corretiva. A atenção aos objetivos da campanha nos ajuda e bem comemorar O Dia Internacional da Mulher de forma cooperativa e solidária porque “somos irmãos”, como nos recorda o lema.

 Os símbolos deste dia empolgante e recheado de significado nos solicitam para que cumprimentemos todas as mulheres pelo seu dia e sabermos que todos os dias são delas. A sensibilidade, paciência e solicitude com que reconhecemos a força das mulheres, nos joga para o futuro por causa do poder, força, determinação capacidade de decisão, de revolta e de mudança inerente a cada mulher. 

Quanto mais livres forem as mulheres, melhores serão nossos dias e melhores sujeitos de direitos todos serão. Esta é uma campanha, mais que as eleitorais, para toda a vida, por isso da Fraternidade.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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