Qual será o nível do debate político nestas eleições?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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Neste ano teremos eleições para presidente do Brasil, para governador, senador, deputado federal e estadual. Os prováveis candidatos já começam a mostrar a cara, alguns inclusive em caravanas pelo Brasil em busca de apoio, outros com posicionamentos nas redes sociais, sobre temas importantes e polêmicos, que afetam a vida dos brasileiros. O que nos chama a atenção nos preliminares debates e comentários dos eleitores é o tom agressivo, intolerante e desrespeitoso que está imperando entre estes. Tanto a defesa dos candidatos, como a oposição, vêm adotando um discurso de ódio, onde o espaço para qualquer pensamento diverso tornou-se improvável.

As eleições deste ano prometem uma situação inusitada e peculiar: grande parte dos candidatos a reeleição, tanto para o parlamento, como para o executivo, estão envolvidos em denúncias por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha, alguns inclusive com sentenças condenatória julgadas em primeira e segunda estância. Os envolvidos são das mais diversas matizes partidárias. Tanto a situação como a oposição, está envolvida até o pescoço com as denúncias. A bandeira da ética foi rasgada, tanto pelos representantes da direita como os da esquerda. Perdeu-se a moral para bater no peito e dizer que determinada agremiação partidária, não está envolvida em nenhum escândalo de corrupção, caixa dois e assim por diante. O constrangimento dos militantes é geral, restando o “apelo” das agressões verbais nos debates, como último recurso de defesa.

Como sempre estive envolvido no meio político de nossa cidade e por conviver com muitas pessoas que gostam de debater a política, tenho visto situações um tanto constrangedoras. Pessoas que estão tendo grandes prejuízos pessoais, por defenderem “pessoas” denunciadas, com veemência e convicção de inocência, independente das provas, indícios e sentenças. Para elas, até mesmo os réus confessos, que estão devolvendo dinheiro público roubado (milhões de reais), estariam sob efeito de pressões para acordos de delação premiada. Tal posicionamento põe em dúvida o caráter e honradez dos “defensores incondicionais“ destes candidatos, ficando clara a tolerância ao comportamento ilícito dos candidatos, desde que estes sejam de seus partidos, ou que defendam os seus interesses. O livro O Príncipe de Nicolau Maquiavel, escrito em 1.513, já trazia estratégias de governos onde os fins justificavam os meios, porém, esta teoria é extremamente ultrapassada, imoral, injusta e ilegal perante o nosso ordenamento jurídico vigente.

O Brasil vive hoje um regime democrático de direito, onde os representantes políticos são eleitos pelo voto, portanto, este é o nosso grande trunfo enquanto eleitores: o poder de escolha, a liberdade de debater, criticar e cobrar resultados dos candidatos eleitos, independente das boas ações e projetos que venham a implantar em seus governos, em hipótese alguma poderá cometer atos ilícitos utilizando-se de suas funções públicas. Os políticos precisam dar o bom exemplo sempre, pois assumiram os cargos sob juramento constitucional de zelar pelo bem público e trabalhar em prol da sociedade.

Vamos aproveitar estas eleições para fazermos uma grande revolução democrática em nossos quadros políticos. O eleitor terá em suas mãos o poder de escolha através do voto. Os debates são necessários, fazem parte do processo democrático e ajudam o eleitor a tirar dúvidas na escolha, são pedagógicos, porém, não vamos baixar o nível, vamos manter o respeito e a coerência em nossas convicções. Precisamos dar um bom exemplo para nossos filhos e netos, que observam atentamente o comportamento dos pais, a fim de reproduzi-los logo ali adiante. Os brasileiros estão vivendo um momento de desilusão com os políticos, porém, devemos manter a esperança nos homens e mulheres de bem, de boa índole, assim como há, bons partidos, comprometidos com os interesses do povo, que fazem a boa política, tão necessária e almejada pelos milhões de brasileiros.

 

“Tratar o seu adversário com respeito é dar-lhe uma vantagem para a qual não está intitulado. A maior parte dos homens não julga através de argumentos racionais, e são impressionados pelo caráter; de forma que, se você permitir ao seu adversário um caráter respeitável, ele pensará que, embora você difira dele, pode estar errado. Tratar o seu adversário com respeito é o mesmo que golpear de forma macia numa batalha.“ Samuel Johnson

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

 

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