Subjetividades capturadas

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As análises do comportamento humano, no atual contexto social, sugerem a relevância de considerar a transição entre corpo disciplinado e sociedade controlada, por meio da subjetividade capturada.  Esses conceitos, indicam que a disciplina assegurada na época anterior (sociedade formada por corpos dóceis e adestrados), por instituições do Estado, simbolizadas na prisão, no manicômio, na escola e na família, está sendo deixada para trás, visto que este tipo de comportamento social foi ressignificado. Para um entendimento adequado dessa transição comportamental, se faz necessário reconstruir uma linha de pensamento de sequência e de rompimento conceitual. A sequência é visualizada no modelo moderno, que tem em Descartes um marco inicial e o ápice em Kant. A desconstrução e o rompimento foram consolidados por Nietzsche.

Os conceitos, que caracterizam a sociedade controlada, indispensáveis para uma análise institucional e social, foram disponibilizadas, na segunda metade do século XX, por pensadores com Foucault, Deleuze e Guattari, possibilitando a identificação da cartografia ou dos mapas cognitivos, que sinalizam a coexistência entre a captura e as linhas de fuga, que estão fora do controle. Esse descontrole é marcado pela desterritorialização, pelo mercado livre e global, pela comunicação instantânea e contínua, em decorrência as instituições de confinamento e disciplinares estão sendo reconfiguradas.   

As bases epistemológicas apresentadas pelo racionalismo cartesiano e pelo positivismo científico, contribuíram para consolidar o conceito de disciplina dos corpos, impulsionando as instituições das sociedades industriais, simbolizadas nas fábricas. Ao retomar o pensamento de Nietzsche, Foucault demostrou a parte obscura dos processos históricos disciplinares desse período, apoiado em uma racionalidade e identificado como século das luzes. Partindo do pensamento de Foucault, Deleuze atualizou o conceito de disciplina, sinalizando a sua transformação, decorrente da generalização social advinda da indústria cultural, que colonizou as subjetividades.

 Essa nova condição social, na qual estamos inseridos, não descartou o conceito de disciplina, mas indica que o mesmo foi superado, sendo insuficiente, para manter o controle social dos indivíduos. Novas forças entraram em jogo, com o rompimento dos conceitos modernos de tempo e de espaço, com isso o conceito de disciplina, especialmente dos corpos, está sendo antecedido pelo controle, feito por meio do aprisionamento das subjetividades. Em consequência, as instituições devem ser repensadas, pois sua natureza originaria, caracterizada pelo controle do espaço físico, da disciplina e dos horários, está obsoleta.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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