Itepa: Aula Inaugural reflete tema da Campanha da Fraternidade

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"Das múltiplas faces da violência à sororidade e fraternidade para a cultura de paz" foi o tema da Aula Inaugural da Itepa Faculdades que, na manhã de hoje, 13, envolveu os acadêmicos e professores. Ministrada pela professora Josiane Petry - doutora em Direito,  coordenadora do projeto de extensão Projur Mulher e com um extenso trabalho e experiencia em ciências criminais, gênero e direitos humanos - a Aula Inaugural seguiu a temática proposta pela Campanha da Fraternidade deste ano - "Fraternidade e superação da violência". 

Contexto
Em sua fala, a professora Josiane explicou que para compreender a violência é preciso compreender, antes, o contexto em que ela acontece. "Não podemos negar que existe violência. No entanto, só observar a situação não é uma opção. É preciso compreender o porquê de a violência acontecer", iniciou. Explicando as relações de poder e dominação, a professora destacou a necessidade de empoderamento. "Ninguém empodera ninguém. Nós nos empoderamos a partir de alguns elementos e, especialmente, a partir da informação. O que podemos fazer pelo outro é levar a informação e fornecer estratégias de sensibilização para que o indivíduo tenha a oportunidade de se empoderar", complementou. 

Reconhecer a violência
A professora colocou, também, a importância de reconhecer os diferentes tipos de violência: física, moral, psicológica, patrimonial, sexual. "Reconhecemos facilmente a violência física. ninguém nega que, de fato, é violência. As pessoas sabem e entendem quando agridem e quando são agredidas. Mas, antes da violência física, existem outras estratégias que, muitas vezes, não identificamos como violência. Os outros formatos de violência, que nem sempre são de embate e força, são traduzidos, na maioria das vezes, como comportamentos necessários ou normais e não se percebe os danos que essas violências vão produzindo na pessoa", explicou e destacou: "Temos uma cultura tolerante que, enquanto não há o toque, não percebe a gravidade ou a violência. E é preciso entender que a violência moral, por exemplo, destrói a identidade e a dignidade da pessoa. Reconhecer a violência permite que você tenha não apenas uma palavra de conforto, mas de informação porque a violência mais grave é aquela que a pessoa está sofrendo agora, nesse momento".

Agentes de transformação
Josiane seguiu sua fala abordando sobre estratégias de dominação presentes na sociedade: força, embate, persuação e naturalização. "A naturalização faz com que nos tornemos impotentes diante dos fatos porque 'sempre foi assim'. Mas a partir do momento que você acredita que é um agente transformador, você transforma", enfatizou. "Transformamos os nossos hábitos todos os dias e a transformação vai acontecendo a cada instante".

Assim, a professora destacou que a informação, ao lado de políticas públicas efetivas, é um instrumento importante para mudar o cenário. "Dados apontam que o que chegam na polícia é muito menor do que o que realmente acontece. Não é construindo presídios, criando novos crimes e aumentando o número de policiais nas ruas que se vai reduzir a violência. Isso colabora, sim, porque é preciso criar políticas criminais, sim. Mas não é suficiente: a política pública efetiva é colocar a luz no bairro, naquela rua que é escura e insegura; é não aceitar que uma criança seja agredida; é oferecer educação de acordo com a necessidade das famílias; é trabalhar com a informação. A pessoa precisa entender, por meio dessas políticas, que o valor dela está naquilo que ela é, no seu comportamento. E isso precisa ser feito agora. Você ser fraterno é você reconhecer as pessoas como iguais", concluiu.

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