Alegoria das galinhas

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Essa fábula me foi contada por um amigo fusqueiro em algum acampamento de fuscas há muito tempo atrás quando, entre uma caninha e outra, discutíamos sobre política.

Depois de muitos e muitos anos soterrada sob toneladas de escombros de memórias,  a pitoresca alegoria imediatamente veio a tona quando essa semana acompanhei mais um capítulo da nossa burlesca cena provinciana.

Diz que de certa feita, um galinho garnizé falava para um galo velho em um galinheiro:

- Primeiro faço uma cerca bem apertada ao redor do galinheiro e uma grande campanha midiática, dizendo que é para a segurança de todas as galinhas.  Depois, quando ficar evidente que não se trata de segurança e sim de me manter no poder, faço uma maior e mais cara campanha na mídia, prometendo então fazer buracos na cerca e assim resolver todos os problemas.

- O que você espera conseguir com isso? Perguntou o galo velho.

Disse então o galinho garnizé:

- Espero ficar podre de rico, mas sem trabalhar.

- No fundo, não importa a cerca, se a cerca é apertada ou se a cerca terá buracos. Importam as campanhas na mídia e onde elas podem me levar. Quero ser representante da associação das galinhas no galinheiro central.

- Mas e as galinhas? Indagou o galo.

- Ora galo velho, as galinhas que se danem!

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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