O perfil do profissional do futuro

Compartilhe

O mercado de trabalho mudou em virtude das transformações trazidas pelas tecnologias digitais. Trabalhar oito horas por dia, executar as mesmas tarefas pré-estipuladas semanalmente, ser acompanhado por um gerente, limitar-se aos conhecimentos “da sua área”... Nada disso parece mais fazer sentido. As empresas atentas às mudanças tecnológicas, modos de produção e perfis das gerações X,Y e Z estão em busca de um profissional MULTIFUNCIONAL.

Mas quais seriam exatamente as competências desse perfil?

Trata-se de um sujeito provido de agilidade, porém sem deixar de ter solidez. Engana-se quem pensa que esse perfil necessita apenas “saber de tudo um pouco”. Ser um oceano com um palmo de profundidade não é exatamente o que se espera. O “trabalho do futuro” exige as já tradicionais habilidades para tratar com pessoas e trabalhar em equipe, porém com lógica de raciocínio; compreensão de processos – além da famosa e temida “habilidade para falar em público” que pode ser substituída pela “habilidade em transferir conhecimentos” – prontidão para antecipar e resolver problemas (fundamental); e condições para aprender continuamente; Repetindo: Continuamente!

Por experiência prática faço ressalvas ainda para a aptidão para escrita objetiva e capacidade de produção de conteúdos para meios variados, além de domínio de ferramentas básicas de mídia digital, especialmente aplicativos simples de tratamento e edição de imagens. Para quê? Para ser mais um dos que podem ser contados na alimentação do universo de redes sociais, que vieram para ficar em qualquer segmento de negócio.

Ser “especialista em generalidades” é a nova aptidão.  Ter a capacidade de criar ou sugerir conteúdo para postagens e fomentar a presença digital das empresas fará qualquer profissional ser o “queridinho” do chefe; Aliás, um adendo sobre chefes: a hierarquia muda um pouco de configuração.  Além do expediente tradicional de oito horas ser abduzido pela autogestão do tempo e muitos dos espaços físicos tradicionais serem substituídos pela liberdade e flexibilidade de trabalhar onde quiser –desde que haja wyfi a cobrança por produtividade não se centraliza necessariamente em uma figura gerencial, mas é controlada por metas, independentemente de onde tenham sido executadas (os home offices vieram para ficar) ou em qual turno (é a chance para os criativos das madrugadas).

Habilidade na autonomia do próprio tempo é uma das regras de ouro, porém necessita disciplina extrema para que haja um rendimento efetivo. É necessário não confundir flexibilidade com desordem. A autogestão caminha para estruturas com menos hierarquia e mais colaborativas e um dos sinais claros é a quantidade de sistemas de autogestão de tempo que estão sendo criados e profissionais para auxiliarem nesse novo modelo (coachings, aplicativos de celular etc). Estamos a cada dia com mais coisas para fazer. Quem sabe gerir bem o próprio tempo tem nas mãos um diferencial em tanto!

Outro ponto fundamental é a capacidade de absolver conhecimento online. Os cursos EAD vieram para ficar e deles nasceram outros formatos, webnários, transmissões ao vivo; Cada vez há menos espaço para congressos, palestras e cursos presenciais e uma tendência contínua ao modo “EAD” (o que também inclui disciplina e alta capacidade de absorção de conteúdo rápido).  

Por fim, para o “profissional do futuro” o trabalho ter significado passou a ser muito mais importante do que o salário em si. Com exceção das crises econômicas e inflações, ao atingir certo patamar no mercado de trabalho é possível observar o quanto a profissão precisa estar conectada às aspirações pessoais, o que acaba trazendo mais força para os aspectos de flexibilidade e autogestão do tempo. Já no que se refere a “estabilidade profissional”, essa passa a ser pautada pela administração da rede de contatos que cada um é capaz de fazer, conforme sua “empatia digital”, o que gera menos insegurança no momento de uma demissão ou recolocação no mercado.  As redes sociais e facilidades de comunicação ampliaram significativamente o famoso “networking”.

O profissional do futuro é agora. Resta-nos, exclusivamente, assentir.

Ionara Lermen é Publicitária. Especialista em Criação para Multimídias. Mestre em Comunicação e Semiótica. Atua com Marketing Digital em Io Mídia e Design | @iomidia

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

Leia Também Solução para o atraso Eleição Presidencial: A ecologia não é questão secundária! Pobreza de propostas em campanhas eleitorais Alimentos aquecidos a altas temperaturas e risco de câncer