O futuro do mercado de trabalho: estamos preparados?

Postado por: Adriano José da Silva

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Tomando por base nosso relatório de janeiro de 2017 sobre automação, o mais recente estudo do McKinsey Global Institute, Jobs lost, jobs gained: Workforce transitions in a time of automation, avalia o número e os tipos de empregos que poderão ser criados em diferentes cenários até 2030 e os compara com os postos de trabalho que poderão desaparecer devido à automação.

Os resultados revelam um rico mosaico de possíveis transformações ocupacionais nos próximos anos, com implicações importantes nas habilidades e nos salários dos trabalhadores. Nossa principal conclusão é que, embora possa haver trabalho suficiente para manter todos os empregos até 2030 na maioria dos cenários avaliados, as transições serão extremamente desafiadoras – igualando-se ou até mesmo superando a escala das mudanças na agricultura e na manufatura ocorridas no passado.

Anteriormente que cerca de metade das atividades que as pessoas são pagas para realizar em todo o mundo poderiam, em teoria, ser automatizadas usando-se tecnologias já existentes. Pouquíssimas ocupações – menos de 5% – consistem em atividades que podem ser totalmente automatizadas.

Entretanto, em cerca de 60% das ocupações, pelo menos um terço das atividades constitutivas podem ser automatizadas, o que implica transformações substanciais no local de trabalho e mudanças para todos os trabalhadores.

Embora a viabilidade técnica da automação seja importante, ela não é o único fator que influenciará o ritmo e a extensão com que essa automação será adotada. Entre outros fatores, há o custo de desenvolver e implantar soluções automatizadas para usos específicos no local de trabalho, a dinâmica do mercado de trabalho (incluindo qualidade e quantidade da mão de obra e os respectivos salários), os benefícios da automação que vão além da substituição da mão de obra, e a aceitação regulatória e social.

O potencial impacto da automação sobre o emprego varia conforme a ocupação e o setor (veja quadro interativo acima). As profissões mais suscetíveis à automação são aquelas que envolvem atividades físicas em ambientes previsíveis, como operar máquinas e preparar refeições rápidas (fast food). Coletar e processar dados são duas outras categorias de atividades que podem ser realizadas de maneira cada vez melhor e mais rápida por máquinas. Isso pode levar à eliminação de grandes quantidades de mão de obra – por exemplo, em originação de crédito imobiliário, assistência jurídica, contabilidade e processamento de transações de back-office.

A automação terá um efeito menor no caso de empregos que envolvem gestão de pessoas, aplicação de expertise e interações sociais, onde as máquinas ainda não conseguem reproduzir a performance humana.

De modo geral, o trabalho em ambientes imprevisíveis – como o de jardineiros, encanadores ou cuidadores de crianças e idosos – também sofrerá menos automação até 2030, pois essas atividades são tecnicamente difíceis de automatizar e, muitas vezes, pagam salários relativamente baixos, o que torna a automação uma proposta de negócio menos atraente.

Em 2030, haverá no mínimo 300 milhões de pessoas acima dos 65 anos a mais do que em 2014. À medida que as pessoas envelhecem, seus padrões de gastos mudam, havendo um aumento acentuado das despesas com saúde e serviços pessoais. Em muitos países, isso criará uma nova e significativa demanda por diversas ocupações – médicos, enfermeiros e técnicos de saúde, por exemplo – mas também por assistentes de saúde em domicílio, cuidadores e auxiliares de enfermagem. Estimamos que até 2030 surgirão em todo o mundo entre 50 e 85 milhões de novos empregos na área da saúde e afins, decorrentes do envelhecimento da população.

Todavia, as pessoas terão de descobrir o caminho para chegar até esses novos empregos. Do total de trabalhadores que perderam seus empregos, 75 a 375 milhões talvez precisem mudar de categoria ocupacional e aprender novas habilidades, segundo os cenários de adoção moderada ou rápida da automação.

A grande dúvida é se nossas escolas sejam elas públicas ou particulares municipais ou estaduais, as faculdades e universidades, públicas ou privadas, estão abertas e propiciando esse debate. O futuro começa agora, as eleições de 2018, podem ser um bom momento para ouvirmos as propostas para o futuro da educação em nosso país e como iremos conduzir o processo da automação.

Fonte: Relatório McKinsey Global Institute novembro 2017

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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