Paradigmas que orientam comportamentos

Postado por: Israel Kujawa

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Paradigma significa modelo ou conjunto de sentidos que orientam os comportamentos, em determinadas situações. No campo epistemológico, esse termo está vinculado com premissas ou referências para a construção do conhecimento. O livro “A Estrutura das Revoluções Científicas”, de Thomas Samuel Kuhn (1922-1996), por exemplo, salienta a relação entre realizações científicas e os modelos que buscam soluções para os problemas. Assim, essa produção nos espaços acadêmicos, inclui debates que perpassam as épocas da nossa história, abrangendo todas as áreas do conhecimento.

Nesse campo de reflexões e pesquisas, o final do século XX e o início do século XXI estão marcados pelo enfraquecimento dos referencias binários, dualistas e maniqueístas. Com isso, os confrontos entre dois modelos de organizações sociais - socialismo e capitalismo - aparentemente opostos, que simbolizavam o bem contra o mal, cederam espaço para um novo modelo genericamente denominado de neoliberalismo. Vale registrar, no entanto, que as adjetivações qualificando “o bem contra o mal” estavam mais vinculadas com a visão elementarista dos seus defensores, do que com a objetividade sistêmica dos acontecimentos sociais.

 A realidade social e científica desse século, abre espaços para a visão que inclui a liberdade para expressar a diversidade de comportamentos, rompendo com o simplismo dominante do modelo dualista, apoiado na certeza elementar. Além disso, a especificidade e a especialidade, focadas em uma parte, sejam elas um campo do conhecimento ou um comportamento individual, de grupo ou classe social, passaram a ser mais convicentemente entendidas a partir das suas relações com a totalidade. Em consequência, a visão desenvolvimentista antropocêntrica, passou por uma aproximação com maior reconhecimento dos poderes advindos da natureza. Ademais, as identidades passaram por uma complexa aproximação, desconstruindo e descaracterizando os papéis sociais rigidamente estabelecidos para as figuras do masculino, feminino, da paternidade e maternidade.

A consolidação de novas referências, pressupõem a desconstrução e a ressignificação, abrindo espaços para uma nova visão da realidade, que reconhece a relação e a interdependência dos fenômenos físicos, biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Essa visão transcende as fronteiras disciplinares e conceituais, abrindo espaços para a pluralidade, para a complexidade e para construção de novas instituições. Conjuntamente, a grande quantidade de opções gera desorientação nas referências, abrindo espaços para comportamentos inconscientes e para os saudosistas das soluções simplistas, separatistas e autoritárias.  Contudo, a exclusividade impositiva de uma instituição, de uma classe ou papel social, devem ser reconstruídas em sintonia com a liberdade e a diversidade,  orientando para a convivência com novos sentidos e novos comportamentos humanos e democráticos.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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