Senhor Zeca Delegado completa 100 anos

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O pai morreu na Revolução Constitucionalista em 1932

José Pedro de Moraes, Seu Zeca Delegado, (oito filhos, sendo um adotivo) como é carinhosamente conhecido em Mato Castelhano, está completando 100 anos hoje. Ele nasceu no dia 29 de março de 1918, na mesma localidade onde reside, Povinho Velho, nas margens da BR-285. Apesar do centenário, o agricultor desfruta de boa saúde, boa memória, fala normalmente e caminha sem uso de bengala. Na segunda-feira passada (26), ele recebeu o título de Cidadão Honorário na Câmara de Vereadores, momento que também conversou com a reportagem das rádios Planalto.

Os pais tiveram nove filhos e vieram de São Domingos do Sul morar em Mato Castelhano. A BR-285 era apenas uma estrada com muitas taquaras nas beiradas o que dificultava a passagem em dias de chuva quando se inclinavam para o meio do caminho. O empedramento teve início entre 1944 e 1945. Os únicos meio de transporte eram a carroça e o cavalo, nem bicicleta existia, relata Zeca Delegado. Seu pai, Manoel de Moraes, fazia frete de carroça de São Domingos do Sul onde trazia feijão para vender em Passo Fundo. Quando jovem ajudava também o pai a levar bois em tropeada pela região.

A morte do pai na guerra

A vida do seu Zeca Delegado é marcada por muitas passagens difíceis. O pai, morreu na Revolução Constitucionalista em 1932, em São Paulo, e o corpo nunca mais foi visto. Imagina-se que os restos mortais foram trazidos anos mais tarde para São Borja, onde outros mortos foram sepultados por determinação do presidente Getúlio Vargas. Na ocasião um irmão mais velho de seu Zeca, João Moraes, também foi lutar junto com o pai e não voltou ileso. Levou um tiro numa perna, mas sobreviveu. Recorda que o irmão chegou num vagão de trem Maria Fumaça, esfarrapado e cheio de piolhos e muquirana. A partir daí, a mãe teve que trabalhar para sustentar ele e uma irmã mais nova, os demais já eram casados. A guerra também trouxe outros problemas, o desabastecimento de produtos básicos na época. Seu Zeca lembra que terminou o açúcar, o sal e a querosene, única fonte de iluminação das casas. “A única casa de comércio que vendia querosene para o lampeão em Passo Fundo era próximo do Banco Bradesco, eu era guri ia lá a cavalo comprar, mas terminou tudo”.

Durante a vida como agricultor, Zeca Delegado, ao lado da esposa Maria da Rocha Moraes, com quem foram casados por 63 anos,(in memoriam) e dois filhos plantou muito arroz, milho e terminei na soja, disse ele.

Ao ser perguntado, sobre o apelido de Zeca Delegado, o tataravô de quatro jovens, explica que veio naturalmente da função do pai que era sub-delegado na região. Começaram me chamando de delegadinho, diz ele. Nesse momento, complementou lembrando uma passagem do pai, que foi, juntamente com outro policial buscar um preso em Muitos Capões, próximo de Vacaria. “Eles saíram daqui com três cavalos, levaram um para trazer o preso, pousaram lá e no outro dia amarraram o preso pelas pernas por baixo da barriga do cavalo, para não escapar e trouxeram até o Povinho Velho. Eu era piá tive muita pena do preso, que era muito perigoso, a minha mãe deu comida para ele amarrado mesmo em cima do cavalo, sem aperos, e depois eles seguiram mais 15 quilômetros até Passo Fundo para apresentar ao delegado”.

A vida comunitária e social do centenário foi lembrada durante a sessão da Câmara de Vereadores. Em uma das tantas noites de carteadas com os amigos teve a ideia de fundar a capela de Nossa Senhora Aparecida, na localidade tradicional do Povinho Velho.

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