Do ódio da Sexta-Feira da Paixão

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Por razões alheias à minha vontade estive afastado nas últimas duas semanas deste escrito. Apesar da situação acompanhei (apenas) os respingos das reações ao ambiente político criado por inúmeras situações nos últimos tempos. A rotina de denúncias envolvendo políticos dos altos escalões cansou as pessoas mais e menos esclarecidas. A expressão quase diária: “é só olhar, ler, ligar ou acompanhar que é sempre a mesma coisa”, demonstra o sentimento de derrota e atrofia nos diversos ambientes do Brasil e das nossas cidades, interioranas ou não.

Existe um fato evidente que poucos percebem – não existem líderes que mereçam a confiança de expressiva parcela da população brasileira e das nossas localidades.

A consequência é previsível e, no nosso caso, pode ser percebida nas ações, atitudes, reações, escritos, discursos e pronunciamentos públicos e em grupos menores. O festival de mediocridades “campeia” solto no cotidiano.

Este não encanta e sequer desencanta. Antes, agrava a já abundante ignorância que nos traz tantos prejuízos ao longo da história. Por exemplo, poucos sabem, por que poucos ensinam com a devida qualidade, quantos presidentes eleitos concluíram o seu mandato e o entregaram na forma da lei ao seu sucessor. Você sabe?

Situações como esta e outras semelhantes ou mais graves nos jogam nesse clima de ódio e despersonalização de quem fala, ouse, cala ou atua na escuridão dos discursos ou nos porões que falam apenas no futuro, quando falam.

Qual discurso tem crédito hoje?

O clima de ódio e destruição não conjuga, une ou aponta uma saída. O discurso que encanta está acompanhado pela vida recheada de outras obras, outros discursos, outros erros, outras tentativas, derrotas e vitórias que sedimentam e convertem as falas em falas com crédito e capazes de encantar e ouvir outras que encantam e ambas merecem ser escutadas.

Aquele líder incapaz de escutar e depois falar ou após a sua fala ter a humildade de sentar e ouvir, não merece ser líder (sequer falar ou ser ouvido). Quem sabe, se estiver certo, vimos discursos clamorosos para plateias surdas ou inexistentes.

A formação de um líder, como por vezes já disse, é uma tarefa intensa, demorada, árdua e recheada de encantos ou não. Faltam pessoas que aglutinam pelo entusiasmo e pela qualidade da fala. Pelo conjunto das palavras e pelo acompanhamento das ações.

Oh cidades. Oh país. Oh mundo sem líderes. Lamentamos as procissões sem povo, instituições sem fala, líderes sem seguidores.

Houve épocas que um condenado foi acompanhado por multidões. Por que será? Certamente porque o conheciam e o reconheciam e porque antes havia falado, conversado, escutado e feito muitas obras. Muito odiado, não. Por poucos e pelos então “grandes líderes”.

            Estar na Sexta-Feira da Paixão com ódio? Por quê? As pessoas de boa vontade seguem um homem vitorioso. Ele ressuscitou. Falou e fala com palavras e obras. Procuremos imitá-lo. Nossa pequenez se irá.

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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