A teoria das representações sociais

Postado por: Israel Kujawa

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As primeiras tentativas de construir uma explicação racional para tudo que existe estão referenciadas nos pensadores pré-socráticos, que destacaram elementos da natureza como princípios descritivos do conhecimento. Tales de Mileto (624 a.C.–558 a.C.), pode ser identificado como dos marcos iniciais para esse modo de explicar o funcionamento do real, além disso conseguia prever quando uma colheita poderia ser abundante. A partir desse conhecimento, Tales conseguiu privilégios e prestigio comercial e social.  Na sequência cronológica, Sócrates (469-399 a.C.) representa uma reviravolta na história do conhecimento humano, pois deslocou a explicação baseada na observação das forças da natureza para o ser humano. Frases/pensamentos atribuídos a Sócrates como - “conhece-te a ti mesmo” - indicam que ele objetivou a sabedoria e a prática do bem, por meio do autoconhecimento.

O histórico, as ideias, a representação e o método socrático, são um patrimônio com valor que permanece atual para as ciências sociais e humanas. No histórico de Sócrates está registrado a condenação por representar uma ameaça aos valores do monoteísmo e por corromper/desorientar as normas de comportamento. Do seu julgamento e da sua condenação permanecem ensinamentos para um entendimento a respeito do humano, da morte e da moral. Do seu método, nominado como maiêutica, permanece válido para a atualidade: a centralidade da incerteza, do diálogo e da reflexão.  Os seus questionamentos sobre ética, também incluem uma compreensão do ser humano e do comportamento, bem como uma compreensão da natureza, que permanecem sem um resposta definitiva.

A evolução do conhecimento, representado em diversas ciências, possibilitou a ampliação na compreensão a respeito das leis gerais e do funcionamento da natureza. Essa evolução motivou e legitimou o uso da metodologia utilizada nas ciências naturais, para a construções de conhecimentos sobre o humano e sobre a sociedade. Entre os exemplos ilustrativos, para demonstrar a evolução das ciências sociais e humanas, estão o surgimento, nos séculos XIX e XX, da sociologia e da psicologia; legitimadas pelas especificidades dos seus objetos científicos – o social e o humano -  essas duas ciências evoluíram sob a luz do método objetivo, preciso e exato, das ciências da natureza. No entanto, um novo patamar, diferente do positivista, para as mesmas, permanece envolvido em polêmicas vinculadas com a caracterização dos seus objetos, do método e dos referenciais epistemológicos.

Entre os pressupostos assumidos, como referenciais epistemológicos, para a construção das ciências sociais e humanas estão a materialidade e a naturalização dos modos de ser. Ao compreender as construções sociais como um dado natural, a sociologia se limitou a descrever o comportamento. Ao separar o humano da natureza e da construção social, se apoiando na regularidade e nas leis mecânicas, a psicologia passa a vivenciar um rompimento entre as dimensões culturais, biológicas e psíquicas.  Nesse contexto, a teoria das representações sociais tem o objetivo de aproximar e relacionar um entendimento para os objetos cientificamente separados, indicando que as ciências operam com uma interpretação do real.

 *A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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