Da violência por palavras

Compartilhe

As manifestações políticas das últimas semanas, juntamente com os ainda necessários efeitos da reflexão a partir da Campanha da Fraternidade, nos desafiam para a composição das múltiplas formas de violência. O mau uso das palavras é recorrente em inúmeras situações. Na Língua Portuguesa e nas demais também, a mesma palavra presta-se para inúmeros significados.

Por exemplo, para usar algo bastante corriqueiro, a palavra amor dependendo do contexto adquire sentidos diversos. O adágio “Pedro entrou pelo cano” quando dito no Brasil ou na Rússia pode ter conotações diferentes.

Na política, seja pela liberdade de expressão tão cara à democracia, seja pelo privilégio daqueles que detém cargos (eleitos ou não), quando salvaguardados pela legislação, o cuidado precisa ser mais atento.

O exercício da liberdade não se confunde com a necessidade, direito ou impulso de dizer o que se quer, na hora que bem entender ou em direção a quem o indivíduo tem vontade.

O que temos acompanhado nas últimas semanas é um festival de ignorância, prepotência e individualismo poucas vezes apreciado na história recente. A violência, tradicionalmente acompanhada pelo uso das armas, num curto espaço de tempo tornou as palavras e expressão conhecidas, desconhecidas ou criadas, a forma atualizada de destruição do outro.

As redes sociais, que modificaram o comportamento humano no planeta e são instrumentos extraordinários de comunicação pela sua rapidez, segurança e otimização do tempo, tornaram-se lugar de esconderijo, fofoca e malversação por mentes insanas e incapazes de expor seu pensamento de forma pública.

O Papa Francisco, cujo carinho, respeito e admiração une pessoas, povos e nações bastante diferentes, além de também vitima de tais perversões, abordou em documento recente a tragédia das fake news e apelou para que as pessoas sintam constrangimento sobre essa prática.

A destruição do outro por palavras é uma ação perversa que consagra a ignorância e impede a liberdade, a realização humana e o equilíbrio em todos os ambientes.

Atentos a discursos, postagens, preconceitos, escritos e julgamentos, devemos ter a liberdade de nos afastar desse ambiente e lutar pela paz duradoura sem ignorância.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

Leia Também Precisamos ser competitivos Alimentação durante o tratamento da infecção urinária Estado falha e municípios pagam a conta da saúde O cão, o trigo e o Fusca