A utilidade e atualidade do Mito da Caverna

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Uma metáfora apresentada por Platão, no livro VI da obra “A República”, é conhecida como como Mito da Caverna. Trata-se de uma história para explicar a condição de ignorância em que vivem os seres humanos, bem como do que seria necessário para atingir a verdade, o mundo real, baseado na razão, além dos sentidos e das aparências.  Nessa história, Platão divide a realidade em dois mundos. O primeiro é o mundo sensível, aquele experimentado a partir dos sentidos, onde reside a percepção falsa, a aparência ou as sombras da realidade. O segundo é mundo inteligível, que pode ser atingido apenas através das ideias ou dos exercícios da razão. Essa construção da Idade Antiga pode ser exemplificada por meio da frase proferida por Lula ex-presidente do Brasil, que antes de ser apresentar para ser preso afirmou: Não sou mais um ser humano, sou uma ideia.

A parábola platônica é um dos textos mais debatidos e conhecidos pela humanidade e se apresenta como uma ferramenta conceitual para explicar e diferenciar o senso comum de senso crítico.  Seguido os ensinamentos de Sócrates, Platão indica que para atingir o mundo verdadeiro, o indivíduo deve exercitar o pensamento crítico e racional, transcendendo os limites dos sentidos básicos. De acordo com essa história, as pessoas que vivem em uma grande caverna, estão presas por correntes, que as forçam a estar fixadas com a olhar para as paredes em que estão projetadas as sombras.

Durante suas vidas, esporadicamente, algumas pessoas buscam se libertar das correntes, que aprisionam, restringem o conhecimento e o comportamento, ao mundo projetado por outros. Esses prisioneiros que se libertam, atingindo o conhecimento perfeito, compartilham as informações e experiências que existem para além do mundo projetado por outros, correm o risco de serem etiquetados como perigosos e criminosos.  Para evitar que as ideias perfeitas se disseminem, as pessoas que se libertam e compartilham a verdade devem ser condenadas, a exemplo do que aconteceu com Sócrates, que foi morto, para evitar a disseminação de ideias revolucionárias. Desse modo, as pessoas tendem a ficar presas na caverna, com ideias pré-estabelecidas, sem buscar um sentido racional, evitando os perigos advindos da reflexão, preferindo o conforto e a segurança das informações que lhe foram oferecidas (comercializadas), por outras pessoas.

Ao aplicarmos a ferramenta conceitual disponibilizada pelo mito da caverna, entenderemos, por exemplo, que o judiciário é uma sombra da justiça. Além disso, perceberemos que as pessoas que limitam o comportamento, o pensamento e as análises sob as diretrizes institucionais do judiciário estão restritas e acorrentadas ao conhecimento imperfeito. Essa ferramenta conceitual é útil e atual, representa as pessoas que preferem permanecer alheias ao pensamento crítico e não se comprometem com a construção da Justiça, aceitando as ideias e os conceitos que são impostos por um grupo que domina as instituições do judiciário. Para atingir o conhecimento, advindo do senso crítico, se faz necessário a libertação das correntes que aprisionam e limitam o pensamento ao senso comum e que discutem apenas as ideias projetadas por outros.

A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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