Extinção da FEE representa a descontinuidade de décadas de pesquisa

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É no mínimo estranho, o governo do Estado anunciar a assinatura de um contrato com a Fipe - empresa privada de São Paulo -, para assumir as atribuições da Fundação de Economia e Estatística (FEE), logo após publicar decreto que sacramenta a extinção da fundação.

O contrato deve ter vigência de dois anos e vai receber R$ 3,3 milhões por ano para desempenhar as atividades. Porém, um estudo feito pelos próprios servidores da FEE mostra que o mesmo trabalho era desenvolvido por um valor de R$ 1,8 milhão por ano pela fundação. O montante representa quase metade do que está sendo pago para a Fipe.

Outro apontamento mais preocupante, feito pelos servidores, é quanto a confiabilidade e profundidade dos dados e indicadores produzidos a partir de agora. De acordo com eles, os dados poderão apresentar resultados que atendam apenas interesses políticos.

Extinguir a FEE é um erro histórico. Sartori comete um enorme desperdício de recursos e descontínua décadas de trabalho que consolidaram uma instituição sólida, competente e reconhecida em todo o País.

A FEE preserva o maior acervo de informações econômicas sobre o Rio Grande do Sul. Seu banco de dados contém 993 variáveis com dados desde 1970. Todos de acesso aberto e gratuito.

Os indicadores desenvolvidos por uma equipe integralmente técnica, com 38 doutores e 93 mestres em diversas áreas. Todos os dados são ferramentas fundamentais para tomada de decisões de diversos setores da sociedade voltados a áreas essenciais como saúde, educação e segurança pública.

Em mais de três anos de governo, Sartori não apresentou nenhum projeto que promova o crescimento do Estado. As poucas medidas que vieram e estão sendo sacramentadas são de estagnação. Todas apontam para a retomada de um conceito de Estado que não deu certo. É o retorno do Brittismo.

É um programa de Estado mínimo colocado em prática. É o ataque ao funcionalismo, a retirada de direitos e desmonte do nosso patrimônio. O Estado deveria ser um indutor da economia para que a produção possa crescer e a renda possa ser distribuída. Mas faz o contrário, promove a retração e com a extinção da FEE, impede que os indicadores mostrem esse resultado. Retrocedemos 80 anos. Devemos ter em mente que sem conhecimento, não há futuro.

A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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