Da conciliação

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As relações entre as pessoas, sejam com relevantes responsabilidades, ou com influência mais limitada, são marcadas pela tensão e conflitos permanentes. Não existe crescimento, desenvolvimento, maturidade e esperança sem o confronto de posições diversas e, não poucas vezes, com contradições difíceis.

Essa dinâmica que acompanha a vida humana penetra com igual intensidade nas demais instâncias de decisão. Nesse sentido, quanto maior a repercussão da decisão, maior será a dinamismo e a repercussão das divergências (e ou decisões).

O exercício da conciliação é essencial para que, posteriormente, se alcance a reconciliação. Este, por sua vez, é uma dimensão indispensável para o amadurecimento da pessoa humana em suas diferentes realidades, planos e decisões. A maturidade é normalmente acompanhada de anos de vida e enfrentamento de situações delicadas e decisivas.

A formação cristã tem, ao longo da história, inúmeros feitos que retratam a força da conciliação e da reconciliação. Por exemplo, acordos diplomáticos entre países muitas vezes considerados insolúveis, quando orientados por esta necessidade, adquirem um dinamismo mais explícito e construtivo, se comparado a outras realidades que são orientadas por interesses de curto prazo.

A diplomacia é um exemplo mais amplo. Contudo, na vivência e convivência nos ambientes básicos da vida humana, por exemplo, família, trabalho, escolas e amizades, essa prerrogativa é fundamental.

Não existe possibilidade de relacionamentos de curto prazo entre pessoas que não se entendem.

Nesse sentido, sobre quem mais tem responsabilidade, maior deverá ser a sua parcela de capacidades de conciliar, reconciliar e, especificamente, compreender as alegrias, esperanças, preocupações e histórias que compõem a existência do outro.

A vida pública, neste caso, não apenas restrita à atuação política, deveria ser o exercício amadurecido da capacidade de recomeçar e expressar o desejo atenuar dificuldades, ao invés de aumentá-las.

O amor aos inimigos, tantas vezes ovacionado como impossível, é mais fácil do que parece. Entretanto, é preciso livrar-se das pequenas raivas e arrogâncias.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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