Dois grandes atores da vida social

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Um entendimento satisfatório dos fatos sociais supõe a necessidade de identificar variáveis que estão incluídas no histórico dos mesmos.  A metáfora entre acontecimentos sociais e peças teatrais é útil para entender o comportamento social, em que a cena atual só pode ser satisfatoriamente compreendida na sua relação com os atos anteriores. Os atores inspiram a própria ação em diretrizes definidas por mentores intelectuais, os quais assumem a função de pensar a viabilização da representação prática da mesma. Entre o conjunto de variáveis que dirigem o comportamento social das pessoas, estão as organizações e instituições de caráter público ou privado. Essas, por sua vez, estão subordinados a dois grandes atores da vida social: o mercado e o estado.

O estado moderno substituiu modelo social feudal, em que os senhores feudais controlavam e exerciam os poderes políticos sobre as terras e em conjunto com a igreja controlavam o pensamento e o comportamento das pessoas. Em sua primeira fase, denominada de absolutismo monárquico, foi desenvolvido o aparelhamento das forças armadas, da estrutura jurídica e da cobrança de impostos. Na sequência foram criados os estados nacionais, que apresentavam suas fronteiras, limites dos territórios e o exército nacional, para segurança da nação. A partir da união dos interesses políticos dos reis e os interesses econômicos da burguesia, o domínio dos senhores feudais foi se extinguindo, dando início a Era Moderna.

O modelo de estado absoluto foi sucedido pelo modelo liberal, apoiado na separação da economia, cujo estímulo e regulamentação cabem ao próprio mercado. O seu funcionamento deveria seguir os princípios da organização social em que prevalece a vontade da maioria em relação ao que é público.  Deveria, além disso, assegurar a liberdade individual e a igualdade de direitos, na qual o desenvolvimento e o bem estar social, precisam conviver com o direito de propriedade e da livre concorrência. Em virtude da não ocorrência desse contexto, os momentos históricos em que a ênfase no social foram evidenciadas, decorrem da cobrança das organizações sociais para um papel mais positivo, na garantia dos direitos sociais básicos.

 No Brasil, as relações entre o estado e o mercado mudaram substancialmente a partir da última década do século XX. Setores estratégicos, como o de telecomunicações e de energia elétrica, foram privatizados sob o argumento da necessidade da abertura da economia para o livre mercado.  No entanto, a última década pode ser caracteriza por intervenções do estado no funcionamento da sociedade, por meio de programas sociais e incentivos para o mercado consumidor e produtivo nacional. As análises da situações sociais em curso, marcadas por crises e polêmicas judiciais, atribuídas a corrupção de partidos e lideranças políticas, carecem de uma visão sistêmica, na qual devem ser explicitadas as relações entre as instituições a serviço dos interesses privados do mercado, globalmente centralizado, em seus confrontos com as funções nacional e social.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

 

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