Teste da Orelhinha: a importância na detecção precoce de doenças auditivas

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Durante o quadro Saúde em Debate desta quarta-feira (18), Cristian Queiroz entrevistou a fonoaudióloga Laura Giacometti, do Hospital São Vicente de Paulo, sobre o 'Teste da Orelhinha'.

O cuidado com um bebê inicia antes mesmo dele nascer, mas é nos primeiros dias de vida que alguns cuidados são fundamentais para o futuro do recém-nascido. No Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, referência na área maternoinfantil para uma população de mais de dois milhões de habitantes, os testes de triagem são importantes aliados na detecção precoce de problemas com a saúde do bebê. Um deles, o exame de Emissões Otoacústicas Transientes, mais conhecido por Teste da Orelhinha é realizado com objetivo de detectar precocemente perdas auditivas. Em de 2017, no HSVP, foram realizados 2774 Testes da Orelhinha em pacientes internados e 396 no Ambulatório de Especialidades.

A fonoaudióloga do HSVP, Laura Giacometti, explica que o Teste da Orelhinha deve ser realizado nas primeiras 48 horas de vida do bebê, ainda na maternidade, ou no ambulatório até o primeiro mês de vida. “A detecção precoce da deficiência auditiva é fundamental para que medidas de intervenção sejam adotadas antes dos seis meses de vida, para evitar prejuízos no desenvolvimento da linguagem e aprendizagem da criança, bem como no desenvolvimento global, cognitivo e social do indivíduo”, enaltece.

O teste é realizado todas as manhãs, para pacientes internados nas Maternidades, CTI Neonatal e Pediatria do HSVP. “Em caso de nascimento com alta hospitalar em finais de semana ou feriados, o exame deve ser agendado no Ambulatório de Especialidades do SUS. Os pacientes que necessitam realizar um segundo exame, recebem encaminhamento fonoaudiólogo para realização do exame via Ambulatório de Especialidades do SUS”, pontua Laura.

Conforme a fonoaudióloga, em caso de alteração no exame ainda na Maternidade, o mesmo deve ser repetido no prazo de 15 dias para reavaliação e indicação de exames complementares. “Quando o exame está normal, o bebê deverá repetir a cada seis meses caso ocorram Indicadores de Risco para Deficiência Auditiva (IRDA). Alguns deles são permanência em UTI por mais de cinco dias, permanência em ventilação mecânica, exposição a medicação ototóxica, ou diuréticos de repetição, hiperbilirrubinemia que exija transfusão, citomegalovírus, rubéola, sífilis (VDRL), toxoplasmose, anomalias craniofaciais, síndromes associadas com perda auditiva progressiva como neurofibromatose, osteopetrose e Síndrome de Usher entre outros”,esclarece Laura, orientando que, em caso de falha no reteste da orelhinha de 15 dias, ou quando o paciente apresentar IRDA, o paciente é encaminho para a realição do exame BERA-Triagem (Potencial Auditivo de Tronco Encefálico Automático). “O BERA-Triagem é um exame que avalia a integridade da via auditiva até o tronco encefálico, ou seja, é um exame mais aprofundado da audição com maior possibilidade de confirmar a falha”.

Em 2017, o HSVP realizou 105 exames BERA-triagens, sendo que, 11 destes pacientes foram encaminhados para alta complexidade auditiva para investigação de deficiência auditiva. “Em caso de alteração do Teste da Orelhinha e BERA-triagem, a criança é encaminhada para reabilitação auditiva via Secretaria da Saúde do Estado, onde serão realizados todos os exames complementares necessários, bem como, disponibilizado gratuitamente aparelho auditivo ou implante coclear, a depender da gravidade do caso”.


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