O Mecanismo!

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A Netflix está apresentando a série “O Mecanismo”, uma ficção baseada em fatos reais, que revela os bastidores das investigações da Operação Lava Jato. A obra é uma produção do brasileiro José Padilha, que já atuou com grande sucesso na série Narcos. Disponível desde o dia 23 de março aos assinantes da Netflix, a obra vem sendo objeto de grande polêmica e repercussão. A série está atingindo níveis de audiência invejáveis, recebendo muitos elogios pelo nível de detalhes apresentados na trama, que revela ao público, a origem da maioria das investigações da Operação Lava Jato, que levaram ao desmantelamento do maior esquema de corrupção já visto no Brasil. Os críticos defensores do ex-presidente Lula, tentam argumentar que a série é parcial e eleitoreira, que não condiz em nada com a realidade dos fatos, o que é veementemente negado pelo autor.

O esquema de corrupção na política brasileira virou cena de filme. Primeiramente foi o filme “A Lei é para Todos”. Agora foi lançada a série “O Mecanismo”, uma ficção baseada em fatos reais, que revela uma trama criminosa de corrupção, envolvendo políticos renomados e os maiores empresários brasileiros, ligados principalmente às empreiteiras da Petrobrás. A série exibida em oito capítulos mostra a origem das investigações da Lava Jato, começando pela apreensão de uma carga de cocaína, ligada ao doleiro Alberto Youssef, representado na série como Roberto Ibrain, que chega ao ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que inspira o personagem João Pedro Rangel, o qual recebe um veículo de luxo de presente de Youssef, deixando ali uma pista fundamental para os investigadores da Polícia Federal, que passam a desvendar a partir destes fatos, o que viria a ser o maior esquema criminoso de corrupção já visto no Brasil. Os principais personagens da trama são: Marco Rufo, delegado da Polícia Federal, que deu início as investigações, interpretado pelo ator Selton Mello é inspirado no delegado da vida real Gerson Machado. A delegada Verena Cardoni, interpretada pela atriz Caroline Abras, foi inspirada na delegada Erika Mailik Marena, que deu o nome a Operação Lava Jato. O personagem João Higino, é inspirado no ex-presidente Lula. A ex-presidente Dilma, é representada pela personagem Janete Ruscov. O presidente Michel Temer, é representado por Samuel Thames. O juiz Sérgio Moro por Paulo Rigo. Aécio Neves é Lúcio Lemes e Marcelo Odebrecht é representado por Ricardo Brecht.

A série “O Mecanismo” é extremamente envolvente, sendo uma das maiores audiências da Netflix hoje. Embora os críticos defensores do ex-presidente Lula condenem a veracidade dos fatos da série, alegando que esta seria parcial e com fins eleitoreiros, a maioria dos telespectadores aprovou a obra. A ex-presidente Dilma criticou publicamente a Netflix e o diretor da série, ameaçando de processá-los por possíveis danos morais. Uma das críticas está na frase dita pelo personagem que representa o ex-presidente Lula, que diz: “precisamos estancar a sangria”, referindo-se as investigações da Lava Jato, frase esta que é conhecida por ter sido pronunciada em gravações, pelo senador Romero Jucá (MDB-RR). Em resposta, o diretor da série José Padilha diz que os críticos estão se apegando em detalhes, que em nada modificam o teor dos fatos. Fala ainda que nenhum dos protagonistas da trama na vida real pode “patentear” palavras ou frases, além do mais, a série trata-se de uma ficção baseada em fatos reais, como é bem lembrado em todos os episódios, mas que não tem o compromisso de relatar com exatidão todos os fatos e diálogos ocorridos. O diretor também enfatiza que se houve protestos e indignações por parte dos defensores de Lula, também houve criticas e elogios favoráveis a sua obra, o que demonstra que o real objetivo foi alcançado, o de trazer a luz da verdade para a sociedade brasileira de um modo geral.

A divulgação dos atos de corrupção no Brasil, seja através de filmes, séries, notícias dos meios de comunicação e/ou das redes sociais, devem ser vistos como um fruto do processo democrático de direito da sociedade brasileira, portanto, devem ser garantidos e preservados. Fica na consciência e na capacidade de cada um de nós, fazermos as leituras e críticas sobre o que nos é apresentado, deixando para a justiça, as providências quanto aos excessos ou irregularidades.  

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

     

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