Portas do consumismo

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As coisas ditas com profundidade e repercussão não precisam de recursos extraordinários ou linguagem abastada, não estou referindo aos recursos técnicos. Sobre temas polêmicos o cuidado precisa ser redobrado porque a vida pode acabar no dia seguinte ou ter marcas permanentes de frustração, entroncamentos e possibilidades de realização ou não.

O tema da falta de alimentos no mundo é recorrente e gera tantas análises e reações que nos deixam espantados. Por exemplo, a fome na África e na Índia, assim como outras situações iguais ou parecidas, é tão aterrorizadora que para alguns chega a ser emblemática. Como podem seres humanos ser vítimas de tamanha humilhação e sofrimento?

De outra parte, nestas regiões, a abundância de guerras e os recursos dispensados para alimentá-las são igualmente constrangedores. Os dados disponíveis confirmam essa afirmação.

O ânimo como podem ser percebidas as estatísticas que retratam os recursos existentes no Brasil em relação à riqueza natural para o aumento da produção de alimentos, contrasta com a ainda alarmante situação de inúmeras pessoas deixadas à margem da, pelo menos, digna qualidade de vida.

A solução de lá e daqui é uma engenharia delicada, complexa e difícil. Entretanto, com igual cuidado e revolta deveríamos atentar para algumas realidades que, se não combatem a fome no mundo, permitem que ela não se estinga bem perto. Quanta comida é preparada a mais em ambientes e acontecimentos rotineiros. Por exemplo: festas de casamento, aniversários, encontros de amigos e outros similares?

Esse assunto comum e recorrente pode ser bem compreendido pelo inteligente e atrativo escrito do padre Adalíbio, que inspirou o titulo desta coluna. O consumismo está na origem de parte expressiva dos problemas que enfrentamos no cotidiano e entre as nações.

Quando ouvimos o às vezes pouco educativo dizer – “cada um faça a sua parte” – é preciso afirmar que é pouco. Mas do que a nossa parte pode ser algo bastante fácil e mais atrativo. A quem interessa ver as sobras de alimentos mal utilizadas, desperdiçadas ou, não poucas vezes, deixadas no lixo?

A beleza da natureza está no seu equilíbrio e nos recursos que ela dispõe. A beleza da nossa natureza está mais próxima.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

 

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