As estratégias para repensar o pensamento

Postado por: Israel Kujawa

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Temos algumas opções de escolha nas orientações, para o nosso comportamento e para o nosso pensamento: considerando as razões, o histórico objetivo e as múltiplos formas de representações da realidade. Em sintonia com o conceito platônico clássico, da Idade Antiga, "Alegoria da Caverna", ou com sua versão "requentada" no século XXI expresso no conceito de "Pós-verdade", os fatos objetivos tem menos poder de influência do que as suas versões. Usamos modelos para entender o universo (atualmente, melhor definido como pluriverso) que se apresentam em permanente mudança, no meio do caos e do imprevisível. Esses modelos simplificam, mascarando e excluindo, tudo que é classificado como complexo.

O nosso pensamento e a vida se constituem por limites concretos ou imaginários, feitos para delimitar e negociar consigo próprio e com os outros. Trata-se de uma instância interna, que se constitui e se confronta com um horizonte infinito condicionado por outras fronteiras, que estão na vida externa. Essas fronteiras impõem limites, que são permeáveis para quem deseja compreender a mudança sem medo da desordem e da complexidade.  Para isso, precisamos confrontar a inclinação de classificar o diferente como não pensamento, superando o conflito entre o que está dentro e fora de nós. Desse modo, colocaremos dentro das fronteiras do entendimento as fontes que sustentam pensamentos divergentes, mesmo que se apresentam como, momentaneamente, incompreensíveis.

 Uma das novidades do contexto social contemporâneo expresso no neologismo pós-verdade, em relação ao descrito na República de Platão, consiste na popularização das crenças falsas e na facilidade com que os boatos se consolidem como se fossem verdades. Além disso, as dificuldades em impor pensamentos falsos são superadas com a insistência na divulgação e replicação das mesmas, desqualificando quem as contradiz, de modo que as pessoas que se manifestam fora da margem atrelada ao pensamento consolidado, passam a ser depreciativamente etiquetadas. O predomínio das sombras e do obscurantismo é corroborado pelo comportamento de milhões de pessoas, de todos os níveis econômicos e de escolaridade, que se informam apenas por veículos de comunicação, que orientam a divulgação das informações estrategicamente escolhidas para fortalecer uma forma de pensamento.

 Ao estarmos diante de desafios que parecem insolúveis, precisamos construir um conjunto de estratégias, para mudarmos a forma de enxergar o mundo, a fim tomar decisões e solucionar os problemas.  Nesse sentido, uma forma de pensar, limitada por uma maneira determinada de percepção, deve ser cotejada com outras, incluído a imprescindível estratégia socrática de formular novas perguntas para repensar o pensamento. Com isso, se apresenta a possiblidade de novas crenças, como parte da solução dos problemas.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

 

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