Primeiro de Maio

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O dia do trabalho que é amplamente comemorado no Brasil e no mundo com inúmeras recordações e busca de sentido, seja para o ato de trabalhar, seja para as necessárias condições de trabalho e remuneração dos trabalhadores ou mesmo pelos desafios que o mundo do trabalho representa no atual período, merece um conjunto de reflexões que ultrapassam um dia, quem sabe, um mês.

Há uma constatação essencial que não pode passar ao largo quando falamos dos tipos de trabalho e da situação em geral. As formas de trabalhar respondem às necessidades da história, aos interesses de quem os propõe, as formas de organização e as exigências de cada momento.

Por exemplo, a dinâmica das nossas ocupações que perpassam todos os dias de semana, já não justificam que aos domingos tenhamos partes dos serviços parados. As pessoas com mais de 40 anos recordam o tempo em que os postos de combustível não atendiam aos sábados a tarde e aos domingos. Atualmente, algo inimaginável há poucos anos ocorre rotineiramente, as compras nos supermercados aos domingos tornaram-se parte do lazer e das programações de final de semana de muitas pessoas, isso sem graves renúncias, exceto o pagamento ao final.

Novas formas de trabalho exigem a renovação das condutas humanas, da organização social e, especificamente da legislação para a garantia da dignidade humana e, assim, evitar novas formas de exploração que recordam períodos de grave sofrimento.

Nesse campo específico vale lembrar os home offices e os trabalhadores dos ramos da alta tecnologia. De outra parte, cita-se, aqueles integrados a sistemas de trabalho que não dependem do fuso horário do Brasil e estão conectados ao sistema global de organização, a hora e os dias da semana são secundários.

Espanta nesse novo campo de dinâmicas, possibilidade e conquistas especialmente vindas do acelerado processo de globalização, de um lado o descaso por realidades complexas e ao mesmo tempo ameaçadoras como no passado. Por exemplo, a permanente situação da fome e a abundância da produção de alimentos. De outra parte, as novas vítimas da escravidão contemporânea. Por exemplo: o tráfego de órgãos humanos e aqueles excluídos pelas guerras de seleção de culturas, pessoas e povos. A violência que vitima atualmente a Síria é a expressão desse nefasto clima de opressão.

O trabalho caracteriza o ser humano e o torna capaz de transformar a natureza. A atuação responsável clama pela responsabilidade de bem administrar a natureza, empreender um modelo de desenvolvimento sustentável visando os direitos da natureza e a equidade social.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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