Quais os limites da ética e da decência, para atingirmos os nossos objetivos?

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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As experiências de vida nos ensinam várias coisas. Algumas nos surpreendem, outras nem tanto, acabam sendo previsíveis, porém, quando se trata de passionalidade em temas como: saúde, religiosidade, ideologia política, de gênero ou de classes sociais, o comportamento humano pode ser imprevisível e inescrupuloso, ultrapassando todos os limites inimagináveis.  

O mundo vive hoje um cenário de intolerância e de extremismo nas discussões políticas, religiosas, de gênero e de classes sociais, chegando aos interesses particulares de cada um de nós. Um questionamento que me faço, é de até aonde vão os limites éticos, morais, religiosos e humanos, para que possamos fazer valer a nossa vontade, ou a nossa razão por assim dizer? Vamos fazer uma reflexão utilizando o tema do tráfico de órgãos. Um tema pouco debatido ou divulgado pela imprensa, mas que é extremamente ocorrente no mundo todo. Segundo a Organização das Nações Unidas – ONU, a cada ano são realizados 22 mil transplantes de fígado, 66 mil transplantes de rins e seis mil transplantes de coração, sendo que destes, 5% são transplantes realizados “clandestinamente”, de maneira criminosa, ilegal. Alguns órgãos de nosso corpo como: rins, córneas, pedaços do fígado ou pedaços do intestino, são órgãos geralmente comercializados por pessoas de baixa renda, por se tratarem de órgãos não vitais aos doadores. Este mercado movimenta em média 1,2 bilhões de dólares, deixando doadores mutilados após os precários e inadequados procedimentos. Os transplantes clandestinos, geralmente são realizados em locais inadequados e com equipamentos rudimentares. Outro dia assisti a um filme chamado “Coisas Belas e Sujas”, que demonstrava o submundo do tráfico de órgãos e o quanto as pessoas são capazes de fazer por dinheiro. Olhando de fora parece fácil darmos uma opinião politicamente e humanamente correta sobre estes casos, porém, na condição passional de doadores e receptores, cada um tem o seu motivo e sua razão pessoal para cometer este ato ilícito.

Saindo do campo pessoal e indo para o campo ideológico, seja na política, na religião ou nas questões raciais, de gênero e sócio-econômicas, vimos à história se repetir, sem generalização, pois felizmente, a maioria da população não se comporta assim. Os casos de extremismo religioso, principalmente no Oriente Médio, resultam em verdadeiras tragédias, vitimando milhares de pessoas inocentes, dentre elas crianças. Na justificativa de cada um dos lados, que se digladiam pela “fé”, razões distintas e verdades intransigentes, absolutas. Aqui no Brasil temos visto com temor, a proliferação de verdades absolutas, seguidas de intransigências e violência. O fato é que tanto a discussão política, como o debate sobre questões de gênero, racial, religiosa ou social, precisam de um grau de tolerância e respeito, para que sejam levadas adiante dentro de um amplo debate social, onde nenhuma verdade seja absoluta, mas sim, tolerante a diversidade brasileira, onde as mais divergentes matizes ideológicas precisam conviver em harmonia entre si. O respeito às diferenças e a priorização ao debate de idéias, precisa ser resgatado, ou estaremos diante de um verdadeiro retrocesso social de nossa geração, a volta da “barbárie”. As leis e códigos, assim como as decisões dos magistrados, precisam ser respeitadas, por mais que contrariem nossas vontades, sob pena de incorrermos em “desobediência civil”. A nossa sociedade demorou muito para chegar aonde chegamos, não podemos aceitar um retrocesso em nossa social democracia brasileira.          

Opiniões divergentes aparte, e, com todo o respeito aos que pensam e agem em nome de suas convicções ideológicas e por seus interesses pessoais, os brasileiros se cansaram da impunidade. O Brasil vive hoje uma crise sem precedente de credibilidade nos órgãos públicos e nos agente públicos de um modo geral, com raras exceções. O resgate da credibilidade, da moralidade ética e da esperança, se faz necessário de maneira urgente. O momento é agora, o ano é de eleições, de mudança, a começar pelo nosso comportamento de eleitor. A ética e a decência de nossas atitudes precisam ir além de nossos interesses pessoais ou corporativos. “A evolução da humanidade está calcada no caráter de cada um de nós!”

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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