Como agir nas redes sociais para não prejudicar relações pessoais e profissionais

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As redes sociais tornaram-nos sujeitos juízes e produtores de conteúdos autorais. Agregar a essas características a possibilidade de expressar-se ‘camuflado’ por de traz de um dispositivo online, dando a falsa sensação de privacidade como uma espécie de “voyeur” da vida alheia nos faz tomar partidos, acusar, defender, disseminar, emitir opiniões livremente e sem constrangimentos. Percebe-se que o termo “liberdade de expressão” tem ganhado novos sentidos ou ainda está em busca de um; dadas às emissões de tudo para todos que as redes nos permitem. A velocidade de informação é vertiginosa e as regas de “etiqueta digital” ainda não estão muito claras; Veem-se padrões de comportamento e orientações em torno da segurança, diretrizes e alertas sobre crianças e adolescentes nas redes, mas de modo geral temos uma terra de ninguém onde todos são reis.

Como concreto orienta-se que o perfil pessoal tenha um objetivo sólido e que caminhe junto com os objetivos de vida. É importante questionar a necessidade real de cada postagem, seu grau de exposição e revelação da vida íntima e se coincide com a imagem que almeja ser julgado (sim, julgado), ou ainda, seu grau de relação com os propósitos de vida pessoal e profissional.  Avalie:

“-Estou à procura de uma namorada séria? O que meu perfil transmite que depõe a meu favor ou que me degrine para que mulheres, também sérias, tenham interesse em mim? Sou casado. Curtir fotos de outras mulheres contribui para os laços de fidelidade com minha esposa? Quero subir de cargo na empresa? Será que as fotos das bebidas, as legendas cheias de gírias, as selfies com roupas sensuais, me auxiliarão a chegar lá? Será que meus comentários “cheios de personalidade e emojis caricatos” nas fotos de meus contatos exprimem quem realmente sou? Será que minhas opiniões pessoais sobre política, religião, gênero, precisam realmente ficar expostas ao mundo”?

A escolha de posicionamento nas redes sociais passa a ser mais assertiva quando a usamos como extensão das metas pessoais e profissionais, como meio midiático de reforço para o alcance de sonhos. Quem já compreendeu esse mecanismo tem se destacado e encontrado ótimas oportunidades. Quem ainda se deixa levar pela emoção de postar tudo a todos, levado pelo imediatismo, pela ânsia de likes e aceitação, com certeza em algum momento perderá oportunidades (que talvez nunca nem saiba que existiram), pois o primeiro filtro, o cartão de visitas dos tempos pós-modernos –seu facebook ou instagram–já lhe reprovou.

No que concerne às relações pessoais, muitos fenômenos passam a ser avaliados especialmente nas gerações x, y e z, já nascidas e/ou crescidas imersas nas redes. A questão da abreviação de palavras, a velocidade de informação, a sensação de estar camuflado por traz de um dispositivo criando comportamentos antissociais ou com dificuldades de interação física, o distanciamento nas refeições em família -cada vez mais raras- a facilidade de desfazer laços digitais com um simples “excluir” ou “bloquear”... Tudo isso afeta diretamente nosso trato social.

É preciso lembrar que nossa vida real lida com pessoas, sentimentos, olhos nos olhos, apertos de mão. É preciso lembrar que emojis com coração saltando pelos olhos não dispensam um abraço de verdade. Lembrar que a velocidade de comunicação das redes e dispositivos não exclui a necessidade de dedicar tempo –ou fazer tempo – para as pessoas ao nosso entorno. Tempos saudáveis, de qualidade. Lembrar ainda que o “por favor”, “obrigado” “com licença” “disponha”  “quer ajuda?” ou “eu te amo” ainda precisam ser ditos, vividos na pele. A cordialidade nunca sairá de moda e é preciso vigilância para não nos tornarmos frios e práticos de mais. Por consequência, sozinhos. Avalie sua impaciência nas filas, com idosos, crianças ou com todos de um modo geral, pois acha tudo “muito lento”. Avalie se quando você está longe do seu celular ou sem acesso ao facebook ainda lhe sobram pessoas, ainda lhe resta o que fazer. Avalie se ainda sente prazer no chimarrão na praça; Se ainda tem paciência para conversas despretensiosas ou sinceramente interessadas, se ainda consegue olhar nos olhos e se lhe sobrou uma vida offline da qual possa realmente se orgulhar e estar feliz.

 Ionara Lermen é Publicitária. Mestre em Comunicação e Semiótica. Especialista em Criação para Multimídias. Idealizadora da Io Mídia e Design, onde atua com Marketing para Redes Sociais.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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