A consciência, o individual e o social

Postado por: Israel Kujawa

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Segundo Miguel Nicolelis: “A consciência é uma propriedade emergente do fato de termos centenas de bilhões de neurônios interconectados.” Essa é uma das formas de compreender a consciência humana. Trata-se de um processo em que os próximos passos, isto é, os desdobramentos decorrentes das conexões não são previsíveis pela ciência clássica. Do mesmo modo que é impossível prever com exatidão qual será o resultado exato de um jogo futuro de futebol, não é possível antecipar cientificamente os estados de consciência futura, pois os resultados das relações, entre a inúmeras interconexões neurais, não são lineares.

A evolução da neurociência prova que a distância entre o “eu” e o “outro” pode ser menor do que a tradição cultural dicotômica e individualista consolidada e calcificada em nosso comportamento.  Por exemplo, existem provas científicas informado que uma ligação, por meio de um óculos virtual, entre a consciência de um corpo humano com o outro, possibilita o deslocamento corporal da mesma, fazendo com que ela se comporte como se estivesse em um corpo que não é originariamente o seu.

O conceito de consciência social (também identificado como coletivo) foi tematizado por Émile Durkheim, e se caracteriza como um conhecimento comum de uma sociedade. Por meio dela, os indivíduos pensam e se comportam seguindo regras formalizadas em leis, em práticas culturais e em representações coletivas. Esse intelectual francês é uma referência para a análise do comportamento humano, ao apontar as influências da sociedade nas práticas individuais. As fronteiras entre o individual e o coletivo são obscuras, visto que decisões consideradas como próprias do sujeito, são influenciadas pelas condições sociais.

Para um melhor entendimento entre o particular e o grupal, se faz necessário reconstruir e entender os processos sociais que formam a consciência, nos quais devem estar incluídos a punição, a justiça e a retribuição. Nessa ótica, as crises sociais profundas estão associadas com os desacordos e confrontos entre as referências coletivas e individuais. Os problemas sociais de maior impacto, como a violência e a autodestruição que contribuem, a saber, para o aumento dos índices de suicídio, se explicam pela falta de sintonia entre a consciência ou representações das normas de comportamento.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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