Ou ela, ou eu

Postado por: Júlio César de Medeiro

Compartilhe

Otávio e Suzana, recém-casados, eram o retrato da felicidade. Casal novo, cheios de planos e muito amor.

Passavam os dias e a felicidade dos dois só aumentava. Suzana dividia os dias entre os afazeres da casa e o trabalho em um escritório no centro da cidade. Otávio o dia todo em uma fábrica trabalhava contando os minutos para estar com sua amada.

Até que “ela” começou a incomodar. Por causa “dela” o clima ficou pesado e as brigas por conta de tudo o que “ela” aprontava eram diárias. “Ela”, com seus caprichos e manias, estava minando a linda relação construída pelo casal. A cada problema que causava, os afastava um pouco mais.

Até que um dia “ela” passou dos limites. Dessa vez havia ido longe demais. Suzana havia suportado tudo com bravura até hoje, mas esse último episódio foi a gota d´água.

Ao chegar em casa Otávio ouviu, logo após um prato cruzar rente a sua orelha e espatifar-se na parede, a fatídica frase: “Ou ela, ou eu”. Depois, aos gritos e gesticulando como louca Suzana contou, chorando e soluçando, o que “ela” havia lhe aprontado em plena luz do dia, no meio da rua, na esquina mais movimentada da cidade. Quanta vergonha e humilhação...  Todos olhando, comentando... Alguns rindo até... Pior foi quando a Polícia chegou para saber o que estava acontecendo.

Cabisbaixo, Otávio foi para a garagem tentar organizar as ideias e decidir o que fazer. Sabia que qualquer desculpa que desse, por mais brilhante que fosse, seria insignificante frente a tudo o que pesava em desfavor “dela”.  A frase “Ou ela, ou eu” retumbava em seus ouvidos mesmo no silêncio denso da escuridão.

Suzana estava certa. Sua relação com “ela” não podia continuar e tinha de ser ele a dar um fim em tudo. Passou como um filme em frente aos seus olhos todos os momentos que vivera com “ela”. O dia em que se encontraram, as viagens juntos, todas as aventuras. Era uma relação de muitos anos, coisa antiga mesmo, mas seu amor por Suzana era maior. O momento para acabar com tudo era esse.

E então Otávio tomou a decisão mais difícil de sua vida e nunca mais sua amada teve que empurrar carro velho sem bateria ou trocar pneu furado em dia de chuva. Nunca mais as roupas da esposa ficaram cheirando gasolina ou sujas de graxa.

Otávio vendeu sua Brasília e salvou seu casamento.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

Leia Também Correios está resolvendo seus problemas O time que perdeu para ele mesmo Alimentos transgênicos e potenciais riscos para a saúde Vou operar! O que fazer?