Operação Efeito Colateral II

Postado por: Clovis Oliboni Alves

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A Polícia Federal deflagrou a Operação Efeito Colateral, em setembro de 2017, com o intuito de investigar irregularidades e desvios de verbas do Serviço Único de Saúde - SUS, ocorridos no Hospital São Vicente de Paula de Passo Fundo – HSVP. Além dos desvios de verbas, a polícia também investiga um forte esquema de enriquecimento ilícito, compra de materiais desnecessários para cirurgias, usados em próteses, órteses e assim por diante. Estão sendo investigadas várias pessoas ligadas ao hospital, dentre elas médicos, administradores e empresários ligados ao setor de saúde. A ampla maioria dos médicos do HSVP, bem como a sua diretoria, manifestaram seu apoio para a elucidação dos fatos.

Nesta última terça-feira (15/05), a Polícia Federal através do Departamento de Repressão à Corrupção e aos Crimes Financeiros de Porto Alegre, realizou a segunda fase da Operação Efeito Colateral, denominada: “Efeito Colateral II”. Nesta fase foram  realizados 10 mandados de busca e apreensão, em diferentes endereços, incluindo setores do HSVP e residências de médicos renomados de nossa cidade. A Operação contou com a participação de 40 agentes da Polícia Federal, todos vindos da capital, Porto Alegre. Segundo informações noticiadas pela imprensa local, o esquema envolvia um médico do hospital com grande influência e poder de comando administrativo, que contratou uma empresa de consultoria de fachada, que pertencia a sua ex-esposa e o filho. Esta empresa realizava as transações de compra de materiais cirúrgicos, de maneira ilegal. Também está sendo investigado pela polícia, as denúncias de funcionários, que segundo eles, eram impedidos de comunicar qualquer irregularidade com o material cirúrgico, ao órgão fiscalizador (ANVISA).

Os médicos do Corpo Clínico do HSVP manifestaram-se com indignação diante das irregularidades constatadas, declarando amplo e total apoio à operação da Polícia Federal e à diretoria do hospital. Segundo eles: “é preciso separar o joio do trigo, pois a ampla maioria dos profissionais de saúde do São Vicente, são pessoas de bem, profissionais da mais alta responsabilidade, capacidade e credibilidade perante a comunidade de Passo Fundo e região”. Da mesma forma, a diretoria do HSVP se colocou a disposição da Polícia Federal para colaborar com as investigações. O que nos chama a atenção nestes posicionamentos é a postura séria e altiva com que a classe médica e a diretoria do hospital, estão tratando o caso. O posicionamento de “todos” é implacável, sem dúvidas ou protecionismo, estão pedindo punição aos responsáveis, doa a quem doer. Os envolvidos devem ser afastados imediatamente, e punidos, se assim for o apontamento conclusivo das investigações, este é o posicionamento da categoria e da direção.

O fato em si é lamentável, expõem a vulnerabilidade do sistema de saúde brasileiro. Demonstra o quanto de voraz e “desumano” pode ser o comportamento das pessoas. Quantas vidas foram tiradas em troca de dinheiro e luxúrias? Quantas pessoas foram submetidas a cirurgias de maneira desnecessária? Muitas perguntas ainda precisam ser respondidas, ou ficarão sem respostas, porém, a justiça precisa ser célere em suas ações, afastando com o máximo de brevidade, os “marginais sanguinários” disfarçados de médicos, que atuavam em nossa cidade. O Hospital São Vicente de Paula de Passo Fundo, sempre foi motivo de orgulho para todos nós passo-fundenses. Precisamos resgatar a sua credibilidade e confiança, afinal de contas, hoje ele é um patrimônio de Passo Fundo e do povo gaúcho.  

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

 

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