Operação Prato Feito: pesquisa aponta o custo da corrupção na alfabetização

Postado por: Amilton Rodrigo de Quadros Martins

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Foi deflagrado no dia 9/5, a Operação Prato Feito, de combate a fraudes em contratos para aquisição de merenda escolar com recursos federais em 30 municípios paulistas. A ação conjunta do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União resultou no afastamento de agentes públicos dos cargos, na proibição de 29 empresas de participarem de licitações e na expedição de 154 mandados de busca e apreensão. Entre os investigados estão empresários, lobistas, prefeitos, secretários municipais e servidores públicos.

As investigações, iniciadas em 2015 a partir de informações do Tribunal de Contas da União, abrangem contratos firmados desde 2010. Segundo estimativa da CGU, o valor total sob suspeita chega a R$ 1,6 bilhão. Uma das empresas que comandavam as negociatas atuava em fraudes relacionadas à alimentação escolar desde os anos 1990 no Estado de São Paulo, esquema que ficou conhecido como “Máfia da Merenda”.

Será que é possível avaliar o impacto da corrupção, no desempenho dos estudantes? Uma pesquisa propõe essa análise: Como estão os resultados educacionais dessas cidades citadas? Uma vez que não temos conhecimento exatamente há quanto tempo esses esquemas estavam sendo operados em cada cidade, apenas uma indicação geral da PF e MPF de que eram esquemas, longevos, ativos por mais de 20 anos, foram escolhidas as cidades de Monguaguá, Barueri e Embu das Artes:

a) Mongaguá – onde a PF encontrou um expressivo volume de dinheiro em espécie;

b) Barueri – cidade com PIB per capita dos mais altos do Estado (R$ 182 mil – 11º no ranking do País) e onde a Prefeitura tem sido envolvida em questões com a polícia e a Justiça de maneira recorrente, além das suspeitas levantadas na Operação;

c) Embu das Artes – onde além de envolvimento nesta operação específica, o Prefeito encontra-se envolvido em graves suspeitas.

Por exemplo, em Barueri, uma cidade “rica” com PIB per capita de R$182 mil, mas onde 34,5% da população conta com renda familiar de até 1/2 SM poderia oferecer educação de melhor qualidade à sua população mais pobre. Mas o que se vê é que as melhores escolas com alunos de NSE mais baixo (17 – médio baixo e 18 médio) apresentam desempenho pior que seus pares no Estado de SP.

A pesquisa completa encontra-se disponível em https://exequi.com/2018/05/14/operacao-prato-feito-e-o-desepenho-da-alfabetizacao-nos-municipios-de-sao-paulo/, e mostra em detalhes que os municípios atingidos pela Operação Prato Feito, estão em real desvantagem aos demais do estado de SP.

Essa é apenas uma pesquisa apontando indicadores do custo da corrupção que assola e empobrece nosso país, impactando diretamente no índice de Alfabetização dos nossos jovens, fortalecendo o ciclo de ignorância e pobreza de toda uma geração.

 

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