ESPECIAL: Esquizofrenia se trata com conscientização

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Há mais de 20 anos, no mês de maio lembramos a Semana de Conscientização sobre a Esquizofrenia, e, em 2018, 24 de maio foi  a data escolhida para um aprofundamento especial. O assunto foi tema de entrevista no Programa Comando Popular na Rádio Planalto nesta semana, quando duas integrantes da Associação Vivamente, Adinara Bonamigo e Lucia de Oliveira Fernandes, participaram juntamente com  o psicólogo Luiz Henrique Paloschi, falando sobre a doença e o grupo de apoio.


A professora Adinara é uma das líderes e apresentou o grupo aos ouvintes. “Nós, mães, familiares e amigos de pessoas com transtornos mentais nos organizamos, a partir do ano passado, e percebemos a necessidade que tínhamos em Passo Fundo de desenvolver um trabalho para propor uma sociedade mais inclusiva, que respeite e aceite que possui transtorno de esquizofrenia. Principalmente os familiares, porque o portador tem médico, o seu terapeuta. Os familiares, muitas vezes, não conhecem a doença. Era importante formarmos uma força para combater principalmente a exclusão e toda a questão do atendimento das pessoas e dos familiares dos pacientes com esquizofrenia”.

O professor da Faculdade de Psicologia da Imed explicou que a o diagnóstico de esquizofrenia se dá através da presença de diversos sintomas no paciente. “A gente precisa entender que há uma série de sintomas que pode gerar um comprometimento tanto social quanto de trabalho. Em 20% dos casos necessita-se que um cuidador formal esteja presente. São comuns sintomas como delírios alucinações e discursos desorganizados, sendo esses critérios mandatórios para o diagnóstico. Os sintomas geram sofrimento muito grande para o indivíduo que tem e também a família é muito afetada por esse transtorno. Então a gente precisa olhar tanto para o indivíduo quanto para a família”. Sobre a faixa etária em que os pacientes começam a apresentar os sintomas, Luis Henrique Paloschi afirma: “é muito pouco frequente casos que iniciem os sintomas depois dos 30 anos. É muito mais comum o início dos sintomas pelo fim da adolescência e até os 30 anos é possível senti-los”.

As causas que levam um indivíduo a desencadear a doença seguem sendo estudadas, mas o fator genético é um dos fatores apresentados pelos pacientes. “Ainda há muito para ser estudado sobre o assunto, mas algumas contribuições que a gente encontra são em relação a fatores genéticos, também fatores geracionais, a forma de criação, vivências precoces a alguma violência ou maus tratos e bullying. São características que podem gerar uma situação estressora no início da vida, que também tem associações com o transtorno. Nenhum desses fatores é mandatório para desenvolver a esquizofrenia. Podemos ter a soma deles para desenvolver um quadro da doença. Não temos um único fator que gera a esquizofrenia. Ao menos isso não está posto na ciência. Quem sabe daqui alguns anos possamos ter uma mudança”, explica Paloschi.

Lucia Fernandes é mãe de um portador de transtorno mental. Ela contou como foi a descoberta da doença. “Quando eu vivi o problema fiquei sem saber o que fazer. O grupo foi onde eu busquei mais conhecimento. Meu filho apresenta transtorno mental que ainda não foi diagnosticado especificamente. Não se sabe o que é, se uma esquizofrenia paranoide ou se é bipolaridade. Ainda está sendo investigado, mas eu encontro nas minhas colegas um apoio. Eu não tinha com quem conversar, não conhecia o problema, fiquei realmente sem chão, não sabia o que estava acontecendo. Custei para entender que meu filho estava com transtorno mental. A descoberta veio através de outra mãe que já viveu o problema e que passou a dizer que meu filho estava doente,  que ele estava sofrendo muito. Até então eu não dava muita importância, achava esse menino mal-educado. Achava que ele não me respeitava. Me perguntava onde foi que eu errei. Conversando com essa mãe eu passei a entender que meu filho estava precisando de ajuda”.

Dinara, também contou sua vivência. “A primeira coisa que uma mãe pensa é onde errou. O que aconteceu? Onde tudo começou? E acaba tentando buscar justificativas para a situação que está passando. Com o tempo, vai tomando clareza, conversando com outras pessoas que já passaram por essa experiência e a partir disso começa a buscar conhecimento e tratamento. Quando acontece isso com um filho, não é só ele que adoece. É praticamente toda a família. Muitos têm preconceitos, não aceitam que a pessoa esteja passando por essa situação, suspeitam que seja droga, que não queira trabalhar. Mas na realidade a pessoa está gritando por socorro, e nós, familiares é que temos que estender a mão. Nós também sofremos muito, mas é a partir disso que nós buscamos ajuda e a nossa associação vem com esse recurso de apoiar, orientar, ajudar para que os familiares também tenham suporte.

Durante o programa, o psicólogo Luiz Henique Paloschi explicou como é feito o diagnóstico da doença: “O diagnóstico pode ser feito em três quadros: leve, moderado e grave. O paciente com quadro leve vai apresentar os mínimos sintomas necessários para fechar o diagnóstico. Moderado vai ter um presença maior de sintomas e grave vai ter praticamente todos os sintomas necessários, que geram um comprometimento ainda maior que um grau mais leve da esquizofrenia. Associada à medicação, acompanhamento e manejo adequado dentro da família, a pessoa pode continuar produzindo. Pode ter uma vida funcional e desenvolver atividades. Mas, sem medicação, sem tratamento, sem a sociedade aceita-la, surgem as complicações e, às vezes, o paciente precisará de internação”, finaliza.

 

 


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