O comportamento, as políticas e os combustíveis

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A definição das estratégias nas gestões políticas da energia estão restritas ao entendimento de setores reduzidíssimos da sociedade. Essas restrições do conhecimento, a respeito das relações entre a política estatal e o mercado privado, dificultam o entendimento das razões que explicam o histórico dos maiores conflitos no oriente médio e das atuais crises institucionais vividas na Venezuela e no Brasil. Os impactos dramáticos das recentes restrições na circulação das pessoas e das mercadorias podem ser uma oportunidade para ampliarmos os entendimentos vinculados aos modos de administrar e explorar os recursos associados com a indústria do petróleo.

As explicações da atual crise institucional passam pela variável que incluí as disputas sobre o controle da gestão energética. Independentemente da diferença na orientação programática dos governos - pois um segue princípios associados com o pensamento esquerdista e outro com o pensamento direitista - as gestões desses dois países latino americanos estão fragilizadas pelo histórico de legitimidade questionável. Vale lembrar que a energia é uma questão estratégica para todas as nações, por isso deve ser tratada com prudência, privilegiando a sustentabilidade e o interesse coletivo. No entanto, são perceptíveis razões históricas indicando que a indústria petrolífera atua para dificultar a proliferação da concorrência e do uso de energias limpas e renováveis. A espionagem na Petrobrás feita na gestão do último governo deposto no Brasil, feita pelos grandes grupos petrolíferos, indica que as crises vividas nestes dois países é patrocinada pelo mercado especulativo, que atua para desestabilizar a concorrência.

As ações que privilegiaram o interesse da coletividade dos venezuelanos e confrontam o mercado especulativo, na política energética estão na base da explicação da atual crise institucional do país. Da mesma maneira, as políticas de gestão da exploração e da venda dos combustíveis, nas quais o controle dos preços não estava subordinado ao mercado, mas ao estado, é uma das razões para explicar a deposição do último governo brasileiro. Além das últimas e grandiosas descobertas e exploração de combustíveis fósseis, o Brasil possui uma das maiores matrizes de energia limpa do planeta. Por isso a situação da nação é paradoxal e precisa ser resolvida, e um dos pressupostos básicos é a não subordinação dos órgãos incumbidos de cuidar de assuntos relacionados à energia ao mercado, para que as necessidades do povo brasileiro sejam atendidas.

 A crescente necessidade de combustíveis e da eletricidade, combinado com o interesse ilimitado do mercado em lucrar com as demandas, contribuíram para provocar o colapso econômico das economias familiares. E, a superação dessa situação dramática em que a maioria da população não consegue suprir as necessidades elementares, passa pela mudança na política de preços da energia. Para eliminar a concorrência, foi necessário mudar a gestão da estatal, destituindo um governo. Passados dois anos de gestão em sintonia com os interesses o mercado, a voz da sociedade está se tornando mais forte e o atual governo precisa encontrar estratégias para calar a população. Apostemos que esta crise contribua para que as verdadeiras razões da crise sejam explicitadas e a expansão das consciência social ampliada.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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