Que bom que você veio

Postado por: Adalíbio Barth

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Quando uma pessoa participa de um evento social, causa muita alegria entre todos os participantes, pois a ausência não justificada deixa as pessoas sem saber o que dizer e pensar. Às vezes julgam ser um protesto silencioso ou porque consideram um acontecimento sem importância. De qualquer maneira, a aceitação de um convite para a participação é motivo de alegria e de valorização do evento.

Certa comunidade preparava uma grande festa social, sem maior motivo aparente. Tencionavam, como sempre, fazer uma “grandiosa festa”. Para torná-la, mais atraente convidaram o bispo local, pois a presença dele atrairia mais participantes. Certa pessoa da comissão de festeiros, veio convidar-me para concelebrar a missa programada. Insistia, dizendo:

- Você não pode faltar!

E a gente argumentava que não havia pessoa conhecida no lugar, que não tinha história pessoal ali, que era longe, que a estrada era muito ruim e assim por diante. Nenhum argumento foi suficiente para deixar-me em paz.

- Então eu vou, está confirmado! – dizia finalmente, para deixar de importunar-me.

No dia e hora da celebração festiva, ninguém apresentou a nenhum dos quatro padres concelebrantes que compareceram. Somente foi dito assim, no comentário inicial:

- Vamos acolher o Sr. Bispo, com os padres concelebrantes, com o canto número...

Tudo transcorreu assim até o final. Quando a missa terminou, a pessoa que me convidou, veio exultante de alegria, repetir-me várias vezes:

- Que bom que você veio! Deu tudo certo! Foi tão bonito!

Observei-lhe, todavia, o seguinte:

- Me explique porque fui convidado para vir até aqui, pois, não conheço ninguém e não fui apresentado.

- Imagine que fiasco teria sido esta missa, se você não tivesse vindo – explicou-me logo – pois, teríamos uma celebração incompleta: o bispo no meio, dois padres de um lado e somente um no outro lado. Assim ficou completo: dois padres de cada lado do bispo.

Descobri finalmente porque fui convidado para participar desta liturgia: por uma questão de simetria.

Como estão as nossas celebrações litúrgicas? Qual o sentido que damos às nossas festas da comunidade? O que visamos com elas? Como valorizamos as pessoas?

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

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