Corpo e sangue de Cristo!

Postado por: Ari Antônio dos Reis

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Celebramos hoje a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, uma Liturgia significativa para os cristãos de tradição católica que convida todos a um encontro com o mistério de Jesus Cristo que se doou definitivamente para a humanidade nas espécies do pão e vinho transformados no Seu Corpo e Sangue.

Olhando a trajetória histórica de Jesus vê-se que a Santa Ceia foi o último momento de encontro com o grupo dos Doze. Logo após aconteceu a agonia no horto, a prisão e a dispersão do grupo até o novo encontro com o Ressuscitado. Assim, a última ceia foi à culminância de um grande processo, o qual revelou algumas características da missão de Jesus continuadas na Eucaristia que Ele mandou celebrar em sua memória.

A primeira delas tem o acento comunitário. Logo no começo da missão Jesus buscou a companhia dos Doze. Foi chamando-os, um a um, das suas atividades cotidianas. Chamou-os “para estar consigo e enviá-los em missão” (cf. Mc 3,14), missão esta levada adiante em comunhão com o Pai e o Espírito Santo. Eles formaram a comunidade de Jesus. A Eucaristia, memorial de Jesus, é viva e dinamiza a fé celebrada comunitariamente por aqueles que seguem o Ressuscitado.

Outra característica de Jesus, vivenciada com o grupo dos Doze e outros seguidores, foi a comensalidade, ou seja, sentar a mesma mesa para partilhar do alimento, dom e graça divinos. Nos Evangelhos encontraremos várias passagens retratando estes momentos: com Levi, o cobrador de impostos (cf. Lc 7, 27-39); com Zaqueu, o publicano (cf. Lc 19, 1-10); com prostitutas e pecadores (cf. Lc 15,1-2); com o fariseu que queria sondá-lo (cf. Lc 11, 37-54); com a multidão faminta de orientação e de pão (cf. Mc 8, 1-9); logo após a ressurreição, a beira do lago, quando partilha com Pedro o futuro da missão (cf. Jo 21, 1-19).  Estes momentos de comensalidade eram também formativos, de explicitação do projeto do Reino. Perpassava por eles o ato gratuito de sentar-se na mesma mesa para comer. Havia o alimento, mas também o projeto comum que unia o grupo dos Doze ou outras pessoas com Jesus. Este projeto comum leva hoje as comunidades para a celebração eucarística, quando fazem a memória do último ato comensal de Jesus, porém doação eterna para toda a humanidade.

Por último, lembremos uma terceira característica: o sentido histórico da vida de Jesus. Ele conhecia muito bem a história do seu povo e ressignificou esta história pela encarnação.  Nesta perspectiva, se oferece como memória a ser celebrada futuramente pelos seus seguidores: “façam isso em memória de mim”, fato que o grupo perpetuou (cf. At 2, 42-47) e hoje é a grande força das nossas comunidades. São comunidades eucarísticas que tornam presente o projeto e a memória de Jesus Cristo, a sua atualização na história.

Portanto, a celebração do Corpo e Sangue de Cristo motiva estes momentos. É o encontro da comunidade que professa a mesma fé; que se alimenta do Corpo e Sangue do Filho de Deus e perpetua este momento por toda a história até a eternidade. Vivenciamos esta celebração como um grande momento de graça.

Pe Ari Antonio dos Reis

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