Medo de quem?

Postado por: Adalíbio Barth

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Vivemos numa época de muita insegurança. As pessoas evitam sair à noite, pois, ficam sujeitas à violência dos assaltos. As comunidades paroquiais em nossas cidades sentiram muito esta mudança de hábitos. As reuniões de grupos de famílias e mesmo os encontros sociais, são planejados com muito cuidado, contratando guardas para os carros, em estacionamento seguro.

Havia um padre que não aceitava mais reuniões à noite. Tomou uma posição radical e quando era convidado para uma reunião, logo perguntava:

- Que hora é a reunião?

E quando respondiam que era à noite, já reagia:

- Não, não, não! Deus fez a noite para dormir e não para fazer reuniões.

Os assaltantes estão colaborando para a mudança de hábitos. Assim, as reuniões à noite são mais raras, para evitar contratempos desnecessários. Em todo bairro reinava um medo de ser assaltado. Havia uma neurose coletiva. Quando alguém precisava sair à noite, permanecia com os olhares atentos para todos os lados, procurando visualizar possíveis ladrões.

Na paróquia, todavia, estávamos aguardando dois jovens que faltavam para completar a reunião do grupo. Os outros que haviam chegado antes esperavam-nos em boa prosa, com as portas abertas. De repente, o inusitado: os dois jovens entraram correndo dentro de casa, em louca disparada, um por uma porta e outro por uma porta lateral, como se estivessem fugindo de alguém. Todos se assustaram e a gritaria foi grande.

Todavia, os dois jovens fugitivos se entreolharam e começaram a rir. O grupo não sabia o que se passava. E continuaram a rir cada um para si mesmo, de maneira envergonhada. Todos queriam saber sobre o ocorrido. E depois de acalmada a situação, veio a explicação.

Os dois jovens se encontraram perto da paróquia. A iluminação era fraca. E quando se encontraram no meio da penumbra, cada um pensando em possível assalto, eis que um se assustou da presença do outro e ambos empreenderam a fuga até o local da reunião, para a segurança pessoal e proteção. Nada mais havia, do que um amigo fugindo de outro amigo.

O homem é lobo para o próprio homem, já dizia o poeta latino Plauto. Chegamos a viver numa época difícil: há roubos, assaltos, mortes e todo tipo de violência. Culpam as drogas e outros entorpecentes de nossa época. E todos se protegem em casa com alarmes, cercas elétricas, cães ferozes e controles remotos. Perdeu-se a confiança nas pessoas. A humanidade deu um passo atrás na civilização.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

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