Dia dos Namorados

Postado por: Dom Rodolfo Luís Weber

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Faz alguns anos, uma jovem me perguntou se ela deviria casar com seu namorado. Se era a pessoa certa? Se estavam preparados depois de vários anos de namoro? Ainda me lembro desta conversa, pois se tratava de uma jovem sincera, queria ajuda e desejava ir ao sacramento do matrimônio mais segura. Daquele diálogo retomo três convicções que transpareceram na jovem: o namoro tem um tempo; precisava de critérios para fazer o discernimento e ela queria fazer uma opção duradoura.

Uma vez lançados do mundo, todas as pessoas precisam fazer escolhas para construir a própria história. Algumas escolhas são mais simples e com pouca repercussão na vida; outras são determinantes e que marcarão toda a vida. São opções existências das quais não se pode fugir. É possível até protelar, encontrar novos argumentos para fugir, mas chega uma hora que a falta de escolha cria um vazio, uma angústia e uma falta de sentido na vida. Mesmo que, aparentemente, seja é um estilo de vida agradável e confortável. Gosto da reflexão que o filósofo e poeta cristão Soren Kierkegaard faz sobre este modo de viver.  Diz o pensador: Se tu não fizeres a escolha, a vida decide por ti. Se isto acontecer, é bem provável que a tua vida vá tomar um rumo que não desejavas. É o que aquela jovem estava constando que o tempo de namoro já era suficiente e estava na hora de se definir. Não podiam simplesmente continuar namorando, pois, o tempo do namoro é provisório e limitado. É um tempo importante para permitir escolher um modo de viver.

No diálogo a jovem procurava critérios para orientar o discernimento. Já se havia dado conta das qualidades e das fragilidades de seu namorado. Já não era mais alguém idealizado, mas alguém real. Diante disto ficava a dúvida se era sobre o namorado ideal ou sobre aquele real que deveria projetar o futuro. No ritual do sacramento do matrimônio católico, a primeira pergunta que é feita para o casal é a seguinte: “É de livre e espontânea vontade que o fazeis”? Um dos elementos de um ato livre é o conhecimento. Neste caso, parte-se do princípio que o casal se conheça e saiba dos compromissos inerentes o casamento.  

Percebi na jovem o drama entre o idealizado e a realidade. Havia uma excessiva idealização.  Os sonhos são necessários para não se acomodar com a situação atual e a mediocridade. Mas eles necessitam ser conjugados com a possibilidade de serem concretizados. Tanto ela quanto o namorado eram limitados. Ao se casarem estavam assumindo as limitações de ambos. As expectativas para a vida futura no matrimônio não podiam ser colocadas num horizonte tão distante que gerasse cada dia frustrações, tristeza e um sentimento de não conseguir realizar um belo projeto de vida.

A jovem tinha consciência que a formação de uma família era uma opção duradoura. Vivendo num contexto de “cultura do provisório”, onde tanta coisa é descartável, inclusive as pessoas e as relações afetivas passam a ser descartáveis. Ela acreditava na unidade, na fidelidade e no sim dado por toda vida, mas também tinha medo de arriscar. Sendo uma jovem com vivência religiosa, queria formar uma família cristã e via na família um dom, isto é, um presente de Deus, um santuário de vida, uma comunidade de vida e de amor conjugal, um lugar destinado para o bem dos esposos, um lugar para gerar filhos. Um projeto que exigia entusiasmo, heroísmo e coragem, porém somente as forças humanas não seriam suficientes, por isso precisam da bênção divina.

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