Soluções que não existem e a verdade que dói

Postado por: Adriano José da Silva

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O brasileiro de maneira geral, sempre procura soluções fáceis, líderes que falam grosso e prometem que o paraíso será alcançado sem dor, sem dedicação, sem acordar cedo. Simplesmente de quatro em quatro anos, renovam-se as esperanças no plano federal, estadual e municipal. Pior de tudo isso, é que o brasileiro.

A greve dos caminhoneiros revelou o Brasil para o brasileiro. As escolhas fáceis pelo setor automotivo, onde esse setor representa 20% da cadeia produtiva brasileira, vem governo e vai governo e sempre é concedido subsídios para adquirir máquinas e equipamentos, caminhões e carros com o dinheiro, meu, seu e nosso, via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o povo aplaude, os empresários vibram e ninguém pergunta de onde vem o benefício.

Graças aos caminhoneiros, o brasileiro descobriu que a Petrobras é pública e o petróleo é nosso. Discursos e manifestações ferozes defendendo a Petrobras e a privatização da mesma, foram bradados, pelas redes sociais, nenhuma manifestação pública, consistente, fundamentada e sugerindo um caminho a seguir. O brasileiro não sabia ou não quer saber que a União, BNDES, PREVI... possuem 60% do controle acionário da Petrobras e que no Governo Dilma, essa maioria foi usada para não deixar o preço dos combustíveis subir, já no governo Temer, como não temos nada a temer, o mercado definiu a política de preços, ou seja, a conta da ineficiência, da corrupção e do desconhecimento chegou, passou e ter aumentos diários e a Petrobras voltou a ter lucro, gerar caixa e a ser a empresa com maior valor de mercado no Brasil.

Credita-se a greve a descoberta de que o país não tem capacidade para refinar 100% do petróleo produzido pela Petrobras, somos exportadores de petróleo e importadores de combustíveis, tal qual como exportávamos Pau Brasil e comprávamos móveis. Passados 518 anos da descoberta, mantemos a mesma pauta de exportações: vendemos commodities compramos produtos industrializados.

Ainda na sequência da greve, tomou-se consciência de que bastava reduzir impostos que o preço baixaria, esqueceu-se combinar com os “russos”, que tal medida tomada aumentaria a penúria dos cofres públicos do governo federal, aqui na república dos pampas, o atraso de salários do governo estadual seria maior e os municípios entrariam em colapso. Enfim, somos uma república onde a lei tributária é regida pela regra da exceção e não para atender aos interesses do povo, no Congresso Nacional essa é a lógica. Viver de isenções.

Ato contínuo, o brasileiro descobriu durante a greve dos caminhoneiros que existem movimentos como o deles e de uma parcela da sociedade que é possível pedir a intervenção militar como se tal manifestação não fosse política. Coisas de brasileiros! Ao bradar tal pedido seria interessante acabar com a pensão das filhas de militares? São pagos R$ 5 bilhões por ano para nada! Na verdade, desde 2000 não são concedidos novos benefícios deste tipo, apenas continuam a ser pagos os que já existem em atividade. E por que motivo absurdo simplesmente não deixou de pagar por isso imediatamente?  

Soluções que não existem e a verdade que dói, podem ser constadas nos discursos que lideram e que podem levar a ser presidente do Brasil: discurso contra o desarmamento, ideologia de gênero; e defesa da redução da maioridade penal. Quando vamos fazer um pacto para educação de 50 anos? Reforma tributária? Vender ou manter as empresas estatais? Permanecer ou sair do MERCOSUL? Inovação e pesquisa de ponta? Qual é o projeto de nação que devemos perseguir? A reforma política?

Enfim, a crise é grave, temos um governo que não governa um povo que não quer enfrentar a realidade e foge do debate econômico, nega a política e vai tomar as decisões acreditando em noticias difundidas pelas redes sociais que carecem de fontes confiáveis. Acredito no Brasil, acredito no brasileiro, mas fazer omelete sem quebrar ovos é possível?

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