Luxo e exclusividade com coração VW a ar

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Quando o governo proibiu a importação de artigos de luxo em 1976, o mercado interno viu a oportunidade de crescer no segmento de automóveis luxuosos e exclusivos. Foi nesse nicho que a L´automobile, empresa paulista fundada em 1975 se especializou.

O Ventura, segundo carro produzido pela L´automobile, impressionava pelo fino acabamento interno e pelas linhas arrojadas da carroceria. Lançado no salão do automóvel de São Paulo em 1978, o cupê de 4 lugares harmonizava as diversas peças emprestadas de outros modelos, como os faróis do Dodge Polara e as lanternas e maçanetas do Alfa 2300, bancos reestilizados do Opala Comodoro e toda a área envidraçada do VW SP2.

Painel, volante, console, túnel e laterais dos bancos eram revestidos em couro, assim como os painéis das portas. Um detalhe curioso era o sistema de som, com toca-fitas com antena elétrica e alto-falantes embutidos nos encostos de cabeça dos bancos. A forração interna contava com um carpete de ótima qualidade, os cintos de segurança de 3 pontos eram retráteis e a instrumentação do painel era completa, com velocímetro, conta-giros, marcador de combustível, amperímetro e relógio da temperatura do óleo do motor.

O espaço interno era razoável, acomodando bem o motorista e passageiro da frente, mas deixando os passageiros do banco traseiro com pouco espaço para as pernas, além de ter baixa altura do banco ao teto. Externamente media 4,14 metros, menos que um Puma GTB, embora aparentasse ser tão parrudo quanto ele. Vinha calçado com pneus radiais 185/70/R14 e rodas de liga leve com 6” de largura, que lhe conferiam boa estabilidade.

Além do requinte da produção artesanal, o Ventura contava com equipamentos diferenciados para a época como ar condicionado, teto solar deslizante, bancos envolventes e reclináveis, regulagem interna dos retrovisores e vidros elétricos (nos últimos modelos). Esses diferenciais fizeram do Ventura sucesso nacional e internacional, sendo exportado para os EUA e para a Europa.

Para impulsionar tanto luxo e conforto, o trem de força escolhido pela L´automobile foi o confiável e consagrado conjunto de motor e câmbio da VW Variant. Um 1600cc arrefecido a ar com dupla carburação que rendia 67 cv e câmbio de 4 marchas. Considerado com ponto destoante do projeto, o conjunto de motor e câmbio VW a ar, embora de fraco desempenho se comparado com outros modelos luxuosos da época, cumpria sua função e ganhava créditos pela robustez e economia, já que os concorrentes diretos eram montados com os beberrões GM 6 cc ou Ford V8.

Em 1983 a L´automobile fechou e vendeu os projetos do Ventura para a L´Auto Craft, que o reestilizou e rebatizou de GTS. Com um motor refrigerado a água, esse modelo, que não conseguiu manter a harmonia do projeto anterior, teve pouquíssimas unidades produzidas.

Hoje são conhecidos pouquíssimos exemplares remanescentes e não se sabe nem ao menos quantas unidades do Ventura foram produzidas. Isso o torna um dos mais exclusivos, caros e desconhecidos automóveis nacionais já produzidos.

 

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