O valor da união

Postado por: Adalíbio Barth

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Certo dia houve uma revolta no corpo humano. O pé dizia estar cansado de ser burro de carga e levar todo o peso do corpo de um lado ao outro.

- Quero ter autonomia, ser livre e caminhar aonde eu desejo e não aonde me mandam. Chega de ser escravo.

Saiu, então, mundo afora, orgulhoso de sua decisão, dando passos largos, sentindo-se bem à vontade.

Os olhos, vendo a coragem dos pés, seguiram o mesmo caminho.

- Se os pés conseguiram essa liberdade, eu também decreto a minha independência, sigo o meu caminho, pois estou cansado de indicar o caminho para os outros.

As mãos começaram a se queixar, porque sobrou mais serviço para elas:

- Preciso apalpar mais para substituir os olhos e preciso me arrastar pelo chão, para substituir os pés. Assim não é possível. Já tenho muitas tarefas, como segurar, escrever, agarrar e defender-me. Quero ser livre.

Depois de algum tempo, os membros revoltosos recuaram e decidiram voltar atrás. Os pés estavam sangrando de tanto pisar em espinhos, bater em pedras, pois eram cegos e não enxergavam. Os olhos, rolando pelo chão, encheram-se de poeira, ajuntaram doenças, necessitavam de óculos, mas não tinham orelhas onde sustentá-los. As mãos, por sua vez arrastando-se ao chão, ajuntaram muita sujeira, esterco, cortaram-se em cacos de vidro e não tinham mais coragem de cumprimentar alguém.

Os pés, as mãos e os olhos descobriram que não podiam viver separados, pois foram criados para viverem juntos e se completarem mutuamente. Decidiram morar novamente juntos, formando um conjunto harmônico, no corpo humano.

Ninguém consegue viver isoladamente, como se não precisasse da outra pessoa. Cada um faz parte de um corpo, onde todos os membros se completam. Cada um de nós, como parte do corpo, tem uma missão a realizar para o bem do todo. Assim, acontece também na família e na comunidade.

*A Fundação Cultural Planalto de Passo Fundo salienta que o texto reflete a opinião de seu autor.

 

 

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