O Fusca da Chevrolet

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Um dos maiores slogans da VW sempre foi “O ar não ferve”, usado para justificar a utilização dos motores  arrefecidos a ar em uma época em que os motores arrefecidos a água eram os mais populares entre os grandes construtores automobilísticos e também entre os consumidores.

Além da premissa de que “O ar não ferve”, as outras razões defendidas para a utilização do motor refrigerado a ar é que sempre foram mais leves, de mecânica mais simples e, consequentemente, mais baratos que os concorrentes refrigerados a líquido. Foi sobre esses conceitos de simplicidade mecânica e baixo custo que o Fusca começou a ganhar espaço nas terras do Tio Sam.

Percebendo que perdia terreno para o nanico alemão, a gigante Chevrolet tratou de lançar a sua versão do besouro em 1959, entregando ao público o Chevrolet Corvair.

Se objetivo era combater a ascensão do Fusca em terras americanas, nada mais lógico que usar os mesmos trunfos do inimigo. Assim, contrariando a longa tradição da marca da gravatinha em produzir carrões enormes com motores potentes e de luxo acentuado, o Chevrolet Corvair tinha dimensões bem menores que os carros da sua época e acabamento mais humilde. O desenho da carroceria também era mais sóbrio que a linha tradicional da marca.

Porém, a maior novidade estava escondida: o motor batizado de “Super Turbo Air” era  um boxer de 6 cilindros, refrigerado a ar e montado na traseira, deslocando 2,3 litros e que rendia entre 80 cv, um desempenho mais do que aceitável para um modelo de entrada. Curiosamente, esse motor girava ao contrário, contra os ponteiros do relógio.

Seguindo os bem sucedidos passos da VW, a Chevrolet desenvolveu para o Corvair diversas opções de carroceria: cupê, sedã, conversível, perua, furgão e picape, projetados para disputar mercado com o Fusca e a Kombi.

Em 1964 o motor do Corvair recebia leve preparação e passava a render 95 cv. Também era oferecida a versão Monza, com 110 cv e a versão Monza Spyder, onde um turbocompressor fazia com que o motorzinho a ar entregasse incríveis 150 cv.

O Corvair nunca teve um desempenho de vendas ruim, mas também nunca foi um destaque de mercado. Muito disso se deve a própria Chevrolet que produzia concorrentes diretos como o Chevy II e o Chevelle. Além da concorrência interna, o Corsair disputava espaço com o próprio Fusca e com o Ford Falcon, que era o preferido dos consumidores na época.

Em 1964 chegava o Ford Mustang, sucesso instantâneo de vendas. Dois anos mais tarde era lançado o Camaro, também no mesmo nicho de mercado do Corvair, fazendo que as vendas do aircooled da Chevrolet despencassem.

Em 1969 a Chevrolet produziu apenas 6 mil unidades do Corvair e encerrou sua produção.

A suspensão independente de molas helicoidais nas quatro rodas foi o ponto mais criticado do projeto. Essa suspensão aliada ao motor alojado atrás do eixo traseiro facilitavam muito o sobresterço e as muitas saídas de traseira foram acusadas como as responsáveis por diversos acidentes. Um livro foi escrito criticando o projeto Corvair da Chevrolet e creditando a ele diversas mortes, abalando sensivelmente a credibilidade do modelo. Embora tivesse tudo para ser um sucesso, o Corvair enfrentou muitos infortúnios em sua trajetória que o impediram de decolar, como a concorrência interna e externa e as acusações de falhas do projeto que o tornavam perigoso.

Alguns anos após o fim da produção, diversos testes foram realizados e os resultados não mostraram falhas de projeto que pudessem ocasionar acidentes. A Chevrolet também nunca perdeu um processo judicial no qual a segurança do Corvair fosse questionada.

Mas era tarde demais para o Fusca da Chevrolet e ele é lembrado hoje somente como um projeto criativo que não deu certo.

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