Depois da aposentadoria

Postado por: Adalíbio Barth

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São conhecidas as histórias de muitas pessoas, agora aposentadas, mas que sempre adiaram qualquer serviço ou compromisso social para este tempo de inatividade. Quando chegou finalmente este tempo, aguardado como feliz e tranquilo, não estavam preparados para enfrentá-lo com amor e coragem. Alguns jubilados souberam ocupar-se bem deste tempo novo, servindo em obras sociais ou religiosas. Outros continuaram em trabalhos voluntários junto a entidades educativas ou beneficentes. Outras ainda se sentiram pessoas inúteis, caíram no desânimo e na depressão e não puderam mais prestar quaisquer tarefas à sociedade.

Sabemos, todavia, que Da. Amábile, antes de se aposentar como professora, participava em muitas ações sociais e religiosas. Assumia os mais variados serviços na sociedade e na Igreja e nunca se queixava do excesso de tarefas. De vez em quando aludia, em suas conversas, sobre novos compromissos que poderia assumir quando estiver inativa. Mas não podia imaginar o grau de cobrança que todos fariam, com a chegada deste tempo novo.

- Da. Amábile você que está aposentada, poderia coordenar a promoção que nossa entidade fará? Você que está aposentada poderia encarregar-se deste retiro, de encaminhar essa papelada, de visitar as famílias do bairro, de distribuir os convites para o nosso evento, de encaminhar os ofícios às autoridades, de participar das reuniões de nossa associação e das nossas assembleias... E a lista de ofertas continuava sempre. Era você que está aqui e você que está ali.

O você que está virou nome. Ela perdeu a identidade. A aposentada ficou sobrecarregada. Todos colocaram em Amábile a esperança de tarefas cumpridas, de representante para todas as reuniões e em emissária para todas as assembleias das entidades. Houve acomodação geral.

Para livrar-se de tudo e de todos e preservar a saúde e viver em paz, sua família resolveu vender a propriedade e mudar-se para uma cidade distante, onde já se encontravam os filhos casados. Agora está recomeçando sua vida, com paz e liberdade, longe de pressões e cobranças.

Abusa-se da confiança e do espírito altruísta dos outros. Quando uma pessoa se converte e opta pelas coisas de Deus, parece que todo mundo quer tirar proveito dessa opção. Inveja-se as pessoas competentes e são sobrecarregadas de compromissos, para testar sua capacidade de doação. Esquecem de viver para si e para os seus, pois todos querem tirar proveito da competência alheia.

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