Um Fusca com roupa de Jipe

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Várias fabricantes nacionais de automóveis se utilizaram do Fusca como base de seus projetos. A mais famosa de todas pode ser a Gurgel, que ao início da sua história adquiria diretamente da fábrica da VW os conjuntos de chassi, câmbio e motores para montar seus modelos, além de uma infinidade de peças como faróis, sinaleiras, piscas, rodas, painéis e instrumentos.

Esse é o caso do Gurgel Xavante XTC, uma espécie de Jipe bem comportado fabricado entre março de 1974 e julho de 1975. A proposta da Gurgel era, utilizando o conjunto mecânico do Fusca, oferecer um utilitário versátil, para terrenos difíceis e acidentados, mas que também transitasse pelas vias urbanas com algum conforto. Aliás, o Xavante XTC é a evolução do XT, onde o ‘C’ faz referência a ‘conforto’. Era um carro maior, mais alto, mais resistente, mais espaçoso e mais confortável que seu antecessor. Mesmo assim ainda era considerado um fora de estrada para qualquer terreno.

A frente agressiva deixava explícita a vocação off-road do pequeno jipe. Grades de metal protegiam os 4 faróis, 2 de cada lado e ao meio estava um guincho. As portas de lona e sem vidros traziam uma pá e uma enxada presas do lado de fora. O estepe era acomodado sobre o capô da frente, ficando exposto e o para-brisa era rebatível, no melhor estilo jipe. Originalmente era oferecido com capota de lona, removível, mas também existia uma capota rígida, de fibra, vendida a parte.

Usava o motor VW arrefecido a ar de 1600 cc e o câmbio 8x35 do Fusca 1300cc, uma combinação perfeita para quem precisava de muita força e torque e não fazia questão de velocidade. Com míseros 780 quilos, pneus maiores e uma suspensão recalibrada, a rodagem era firme e macia, mais confortável que o próprio Fusca.

Alguns Xavantes XTC foram montados em configurações militares e entregues ao Exército brasileiro, que o avaliou em situações extremas como lançamento de aviões com paraquedas. Outros tantos foram produzidos especificamente para exportação, restando impossível apontar com certeza quantos XTC foram fabricados e hoje é impossível saber quantos estão rodando.

 

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