As séries especiais do Fusca no Brasil

Postado por: Júlio César de Medeiro

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Sabe aquele fusquinha velho, todo arrebentado, que faz anos que está parado na garagem do seu tio-avô? Pode ser que seja um raro modelo de uma das poucas séries especiais do Fusca. Esses exemplares de séries especiais, além de raros, estão cada dia mais valorizados e, dependendo do caso, podem valer mais que um carro zero quilômetro.

A primeira série especial do Fusca foi batizada pelo povo com um nome um tanto curioso: Pé-de-boi”. Lançado em 1965 como a versão barata do Fusca, contava com o motor de 1200cc. Foram suprimidos itens que hoje são imprescindíveis, como marcador de combustível, setas de direção, esguicho d´água no para-brisas, tapa-sol e tampa do porta-luvas. Além disso, o “Pé-de-boi” também não tinha frisos, nenhum cromado, bancos com capas de plástico, painel todo fechado sem entradas de ar ou lugar para o rádio, vidros traseiros fixos, para-choques simples pintados na cor do carro, forros das portas de papelão e os tapetes de borracha. Foi produzido até 1968 e encontrar um modelo desses no estado em que saiu da fábrica é praticamente impossível, pois quem o comprava, mandava instalar as peças e partes que faltavam logo em seguida.

Em 1974 a VW do Brasil, observando o sucesso da versão alemã “VW-S yellow and red racer”, lançou por aqui o “1600-S”, chamado de Super Fuscão e também de Besourão ou Bizorrão. Além do motor de 1600cc com dois carburadores, trazia bancos reclináveis, volante esportivo, conta-giros, marcador de temperatura, relógio e amperímetro, rodas de 14 polegadas do Brasília e uma marcante capa plástica de cor preta sobre as aberturas da tampa do motor. Foi fabricado em apenas três cores: amarelo imperial, vermelho rubi e branco lótus. Deixou de ser montado já no primeiro semestre de 1975. Poucas unidades sobreviveram e ver um Bizorrão rodando é algo muito raro.

Fusca da “Série Prata”, de 1980, segundo a lenda, teve apenas 100 unidades montadas. Mas especula-se que a VW tenha montado algo entre 1500 e 2500 unidades dessa série. Tampa do porta-luvas e grades do painel eram pintadas na cor prata. O volante espumado trazia gravado em relevo o nome da série. Na tampa do porta-luvas uma plaqueta também indicava a série especial. Os forros de porta em material diferenciado e os bancos em um ótimo veludo em tons de cinza davam um toque refinado. Forração interna em carpete cinza com fino acabamento e vidros verdes. Para-choques pintados na cor do carro (prata) contavam com o chamado “borrachão”.  Na tampa do motor, no lugar da indicação da cilindrada do motor, um adesivo brilhante em preto e vermelho trazia a identificação da série “SPrata”. Em contra ponto, era movido pelo velho motor 1300cc. O carro zero quilômetro era entregue com um chaveiro personalizado e manual próprio da série, que se tornaram mais difíceis de encontrar que o próprio carro hoje em dia.

Em 1982 a VW lançou, para muitos, a mais obscura, requintada e rara versão do Fusca no Brasil, o “Fusca 1300 GL”. Lançado em novembro de 1981 como modelo 1982, permaneceu em vendas somente até meados do ano e sumiu tão silenciosamente quanto apareceu. Especulações apontam para uma produção de menos de 100 unidades, mas a VW sequer tem registros de quantos foram montados. A lista de itens de conforto conta com capa plástica preta para o painel, acendedor de cigarros, sistema de aquecimento interior, desembaçador do vidro traseiro, janelas traseiras laterais basculantes, luz de cortesia no teto, borrachão nos para-choques, lanternas Fafá tricolores, carpete preto no interior e na parte de baixo do forro das portas e bancos em tecido com apoio de cabeça. Como opcionais, rádio AM/FM, relógio no painel ou rodas de 14 polegadas do VW Brasília.

Em comemoração aos 25 anos da produção do Fusca no Brasil foi lançada em 1984 a Série Love”, fazendo alusão ao amor do brasileiro pelo carro. Todas as 2500 unidades traziam volante espumado, cinto de três pontos, desembaçador do vidro traseiro e janelas traseiras basculantes. Para-choques na cor do carro (azul copa), rodas de 14 polegadas e motor 1600cc completavam o conjunto.

No segundo semestre de 1984, lançado já como modelo 1985, a VW apresentou o Fusca “Verde Cristalino”. Detalhes e acabamentos nada convencionais foram experimentados, a começar pela pintura metálica em tom verde cristalino. As rodas aro 14 foram emprestadas do Brasília, pintadas na cor do carro, com sobre aros metálicos e calota copinho. Capas de piscas, aros dos faróis e para-choques também vinham pintados na cor do carro. Os para-choques contavam ainda com os famosos borrachões. O motor de 1600cc com dupla carburação era movido a álcool. Faróis de milha no para-choque dianteiro e espelho retrovisor do lado do carona vinham de fábrica. Por dentro, algum luxo como bancos com ajuste milimétrico do encosto e tecido cinza aveludado. Apoio de cabeça nos bancos da frente e painel das portas com uma faixa de carpete negro, que também substituía o vinil no assoalho. Completavam o pacote um relógio analógico montado a esquerda do velocímetro e o acendedor de cigarros fixado no painel, bem como a chave dos faroletes e o botão para a injeção de gasolina. Embora o pacote de adicionais fosse atrativo, a estética do carro não agradou muito, sendo que a maioria dos proprietários substituía as peças verdes por outras comuns cromadas. Assim, mesmo que aproximadamente 2800 unidades tenham sido produzidas, é muito difícil ver um Fusca Verde Cristalino original.

Em sua primeira despedida, o Fusca “Última Série” teve 850 unidades produzidas em 1986, todas numeradas. Além de algumas cores diferentes, o que o tornava especial eram detalhes. Quem o comprou zero quilômetro teve seu nome gravado no “livro de ouro” da VW, recebeu um kit com uma chave dourada, um certificado e um fita de vídeo com as melhores propagandas do Fusca. O pequeno número de unidades produzidas e o apelo comercial por ser o fim do Fusca o tornaram peça muito valorizada e cobiçada.

Por fim, foram produzidas aproximadamente 1500 unidades do “Fusca Série Ouro”, em 1996, na despedida final do besouro no Brasil. Não tinham as faixas adesivas nas laterais e traziam um pequeno emblema perto do bocal do tanque de gasolina que identificava a série. Novas cores, instrumentos com fundo branco, desembaçador elétrico do vidro traseiro, janelas traseiras basculantes e volante do gol, além dos mesmos tecidos usados para o Pointer GTI da época para a forração dos bancos e dos painéis das portas, que contavam com porta-trecos, faziam um belo conjunto interior. O motor era o mesmo 1600cc com dupla carburação que equipava todos os Fuscas Itamar. Com a valorização dos carros antigos e mais ainda dos Fuscas, modelos como o Série Ouro alcançaram preços altíssimos.

E você? Já viu algum Fusca Série Especial? Conte para a gente aqui nos comentários! Um grande abraço e até a semana que vem.

 

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