A mudança tem nome?

Postado por: Adriano José da Silva

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Dada a largada para as eleições 2018. Neste momento todos os candidatos já se desincompatibilizaram dos seus cargos públicos, e estamos na fase de finalização das articulações para a manutenção, ruptura e construção de alianças nacionais e dos palanques estaduais, além é claro do tempo de televisão.

Em um ambiente onde o embate entre o mercado e a política parece tomar proporções gigantescas. O candidato do mercado é o ex-governador do PSDB Geraldo Alckmin, só pelo fato de fazer a aliança com o CENTRÃO (Solidariedade, PR, DEM, PP, PRB) o índice IBOVESPA subiu e o real se valorizou perante o dólar. Tal movimento se deu pelo fato de o pré-candidato tucano deter 60% do tempo de propagando de rádio e tv, o que tornaria capaz de vencer as eleições. Aliança esta que não tem nada de novo, consolida o candidato a presidente do PSDB como o representante natural de tudo o que a população rejeita na política. 

Poderemos observar o velho debate sobre as privatizações e o estado mínimo defendido pelos tucanos e a epopeia esquerdista do estado máximo. Se os tucanos retornarem ao poder as privatizações recomeçaram e as conquistas sociais serão deixadas de lado em prol do capital? Se a esquerda retornar ao poder, estaremos caminhando para um chavismo? Será assim, o tempo todo, todo o tempo de hoje até as eleições gerais de outubro.

Fernando Henrique Cardoso parece tornar-se cada vez mais relevante para o PSDB. Ao defender seu feitos ele argumenta “dizia-se que as privatizações reduziriam os empregos, quando houve uma expansão extraordinária deles. Que a Vale estava sendo trocada por nada, quando foi difícil encontrar contendores no leilão porque seu valor, na época, parecia elevado e, se hoje vale bilhões, foi porque houve investimento e ação empresarial competente (diga-se, de passagem, em impostos, hoje, a Vale paga muito mais ao governo, por ano, do que pagava em dividendo quando era uma estatal).

Ao que me parece estamos reféns de uma briga ideológica. O sociólogo e o torneiro mecânico há 24 anos para ser mais exato. Não se discute um projeto futuro, um projeto estrutural de longo prazo, não se constituíram novas lideranças capazes de defender ideias e aglutinar um novo projeto de nação. Nossa economia cresceu, porém, estagnada a praticamente 4 anos, desnudou toda a nossa ineficiência logística, tecnológica, tributária, da falta de inovação e principalmente a incapacidade da classe política de oferecer uma saída para o mais de 13 milhões de desempregados.  Falta infraestrutura, é mais fácil construir um porto em Cuba ou uma Hidroelétrica na Nicarágua do quê construir os dois aqui no Brasil. Ou melhoramos nossa eficiência econômica em termos de produtividade e serviços públicos ou sucumbiremos nos próximos anos.

Como melhorar? Em 50 anos de existência, o (P)MDB disputou a Presidência da República em eleições diretas apenas duas vezes. Numa, em 1989, Ulysses Guimarães amealhou irrisórios 4,7% dos votos válidos. Noutra, em 1994, Orestes Quércia arrebanhou ínfimos 4,4%. Hoje, Meirelles roda nas pesquisas na casa de 1%. Se chegar às urnas em triunfo, será candidato a Deus, não a presidente da República.

A mudança tem nome? Sim, ela tem. O nome da mudança é a participação efetiva no processo eleitoral, conhecendo os candidatos, discutindo as propostas e comparecendo no dia da eleição para votar. Somente sairemos do nosso labirinto com muito debate, com ideias e lideranças capazes de aglutinar, afinal a mudança tem nome, e o nome da mudança é falar a verdade e a verdade dói.

 

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